Real Grandeza e Funcesp podem ser multipatrocinados

Fontes, presidente da Real Grandeza: alvos iniciais são empresas e instituidores,
como associações de classe e sindicatos.

Dois dos maiores fundos de pensão brasileiros estudam a abertura para novos patrocinadores com o objetivo de continuar crescendo de olho, entre outros, na diluição dos custos. A Fundação Real Grandeza (FRG), dos funcionários de Furnas, deu os primeiros passos no sentido de mudar seu estatuto social, enquanto a Funcesp, das empresas de energia elétrica do Estado de São Paulo, iniciou estudos para analisar a abertura de fundos de contribuição definida para novos patrocinadores além do setor em que já atua.

“Não somos uma ilha, estamos abrindo a fundação para novos patrocinadores e novos planos, trata­-se de uma questão estratégica”, disse ao Valor o presidente da FRG, Sérgio Wilson Ferraz Fontes. O novo estatuto está em discussão no conselho deliberativo da Real Grandeza, que já realizou duas reuniões sobre o assunto. No entanto, o trâmite até a aprovação final será longo, avalia o presidente da fundação.

A mudança ainda deverá passar pelo crivo de Furnas, dos ministérios de Minas e Energia e do Planejamento, além da Previc, superintendência que regula o setor. “Neste meio tempo vamos tentar preparar a fundação para conquistar novos clientes”, afirmou. De acordo com o presidente, não haverá restrições quanto aos futuros clientes, podendo ser de entidades públicas ou privadas.

A reforma da Previdência potencialmente pode abrir uma oportunidade para administração de fundos estaduais ou municipais, mas a ideia de abrir a fundação para outros patrocinadores vem antes disso. “Os alvos iniciais são empresas e instituidores, como associações de classe e sindicatos. Mas estamos abertos a qualquer possibilidade”, disse. Inicialmente, será cobrada dos novos participantes uma taxa de carregamento de 9,6% sobre os aportes, a mesma paga pelos atuais membros. “Se entrar um contingente maior de pessoas, ela tende a cair. Este é um dos objetivos”, disse.

Fontes acredita que os resultados da fundação são um atrativo para potenciais interessados. No ano passado, o plano de contribuição definida teve a maior rentabilidade de sua história, segundo ele, com ganhos de 32,4%, ante a meta de 13,16% e um retorno médio do setor de 15,23%, de acordo com a Abrapp, associação que representa o segmento. Em 2017 até março, o plano teve ganhos de 8,35%, quase 7 pontos acima da meta de 1,48%. Caso a alteração no estatuto se confirme, a Real Grandeza vai seguir os passos da Petros, que além de administrar os recursos dos funcionários da Petrobras também faz a gestão de fundos de outras empresas e associações de classe. A entidade, um dos maiores fundos multipatrocinados do país, administra 34 planos de benefícios, de um total de 122 patrocinadores e instituidores com 147 mil participantes.

A Funcesp, que encerrou março com patrimônio de R$ 27 bilhões, no momento avalia a implantação de planos de contribuição definida para outros patrocinadores além do setor elétrico. Uma decisão final ainda não foi tomada, segundo o presidente da entidade, Martin Glogowsky.

A ideia está alinhada aos esforços do sistema em manter o crescimento dos fundos de pensão, disse o executivo. Hoje, ao contrário do passado, os jovens não se interessam mais em fazer carreira em apenas uma companhia e há novas formas de emprego, como os terceirizados. “Estamos olhando 20 anos à frente. Queremos a sobrevivência do sistema”, disse o executivo. No entanto, abrir a fundação para outros patrocinadores não é algo trivial, ponderou. “É preciso analisar as vantagens em termos de custo, governança e políticas de investimento”, disse.

Glogowsky acrescentou que é importante que a fundação tenha produtos e serviços cada vez mais competitivos, principalmente diante de um cenário de troca de controle no setor elétrico. Recentemente, a chinesa State Grid comprou a CPFL Energia, segundo maior patrocinador da Funcesp. Do lado da fundação, nada mudou, disse o presidente. Caso aprove a abertura para novos patrocinadores, isso poderá acontecer em 2018.

Fonte: Valor Econômico