Saúde na Suíça e no mundo, por Ricardo Brito

Apesar de os sistemas de atendimento à saúde ao redor do mundo serem construídos de forma muito semelhantes, cada país adota seu próprio modelo de gestão, que impacta diretamente na qualidade e eficiência do sistema. Taiwan detém de um dos melhores atendimentos à saúde, graças ao monitoramento dos indicadores de saúde de seus cidadãos. Utilizando um cartão inteligente que armazena todo histórico médico de cada pessoa desde seu nascimento, esse modelo garante o diagnóstico precoce e previne futuros problemas de saúde.

Por outro lado, considerando o pior do mundo, está o sistema de saúde de Serra Leoa (África), mas entre os piores, também estão três conhecidos e desenvolvidos países na Europa: França, Itália e Espanha. Mas porque estes países enfrentam tantas dificuldades na saúde? A ineficiência do sistema decorre principalmente pela baixa resolutividade assistencial e é refletida pelos custos crescentes, decorrentes do sistema de pagamento por volumes. O déficit de saúde desses países atinge a casa de bilhões de euros. Uma iniciativa pra reverter esse quadro foi implantada a partir de 22 de maio de 2020: toda a comunidade da União Europeia mudou seu modelo de gestão para garantir a cobertura universal, um novo posicionamento para atender a proposta de proteção social.

O Brasil ocupa o 125° lugar no mundo, apesar de oferecer gratuitamente solução para 200 milhões de pessoas. A Suíça que o ocupa o 6° lugar entre os melhores do mundo, tem no seu modelo de gestão uma mistura de sistema privado e público, em um mercado altamente regulado.

Hoje os Estados Unidos, segundo indicadores de qualidade, tem a medicina mais avançada do mundo, entretanto não é gratuita. A maior referência de medicina aplicada, está sendo praticada em Harvard, seguida de Oxford e Cambridge, na Inglaterra. Ainda, não podemos deixar de considerar o Japão que é o país asiático que mais investe em tecnologia e muitos acreditam ser o mais tecnológico.

Aqui na Suíça, tive uma experiência com o sistema de saúde por causa de um problema respiratório que acometeu meu filho. O atendimento, apesar de não sermos suíços e não termos residência Suíça naquele momento, foi excelente. A infraestrutura era impecável. Uma equipe de pediatras se revezavam ao longo do dia para acompanhar meu filho e nos reportar seu quadro clínico. Foram feitos os exames, as prescrições e aplicações dos medicamentos de forma impecável, até sua completa recuperação. A atenção, carinho e cuidados nos surpreenderam.

Quando você vive aqui, é obrigatório contratar um seguro saúde, de uma das diversas seguradoras do país. O valor gasto mensalmente com saúde é alto, mas quando analisamos todas as coberturas que os planos reembolsam e os procedimentos que cobrem, entendemos os benefícios desse sistema altamente eficaz. Medicamentos prescritos pelo seu médico, coparticipação em atividades físicas, exames de prevenção, tratamentos com medicina alternativa, saúde mental e acompanhamento nutricional e lentes de contato, são apenas alguns exemplos de uma série de benefícios incluídos.

Principalmente após a crise de saúde que estamos enfrentando, creio que a gestão da saúde ao redor do mundo será um grande desafio. Oferecer mais tecnologia e reduzir o custo; criar humanização nos hospitais e otimizar o tempo de permanência do paciente; administrar a logística no transporte de pacientes sem aumentar o risco de vida; prescrever medicamentos eficientes a preço acessível e colocar o paciente em condições de produzir e gerar riqueza.

Certamente esses desafios serão enfrentados por todos os países. Sairá melhor aqueles que conseguirem manter uma gestão eficiente e propor soluções inteligentes para questões como tecnologia, humanização, logística, custo e operação.

Ricardo Brito

Com experiência em multinacionais como Alcoa, Shell e Telefonica, atuou nas principais empresas de medicina de Grupo do Brasil. Com especializações pela FGV em Gestão de Negócios e Marketing de Serviços e MBA em Administração e Gestão de Negócios, atua como CMO da Biomecanica e Grupo Bioscience desde 2012.

Fonte: Healthcare Management