Relatório global de disparidade de gênero 2024

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Um panorama do lento progresso rumo à igualdade

O Global Gender Gap Report 2024, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, revela um avanço lento e desigual em direção à igualdade de gênero, destacando que, ao ritmo atual, levará impressionantes 134 anos para que a paridade de gênero seja plenamente alcançada no mundo. A lacuna de gênero é medida em quatro áreas principais: participação econômica, nível educacional, saúde e empoderamento político. Embora algumas melhorias tenham sido registradas, persistem desafios profundos, especialmente nos âmbitos econômico e político.

O que é a lacuna de gênero?

A lacuna de gênero é a diferença nas oportunidades e condições entre homens e mulheres em diversas áreas. O Global Gender Gap Index utiliza uma escala de 0 a 1 para medir essa disparidade, sendo 1 equivalente à paridade completa. Quanto mais próximo de 1, menor a diferença entre os gêneros. O índice é dividido em quatro dimensões principais: participação econômica e oportunidades, educação, saúde e sobrevivência, e empoderamento político. Em 2024, a lacuna global de gênero foi fechada em 68,5%, o que representa um aumento de apenas 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Panorama global: progresso limitado e desigualdade

O relatório de 2024 cobre 146 economias, representando cerca de dois terços da população global. Embora 50,1% dos países tenham melhorado suas pontuações em relação ao ano anterior, 43,8% registraram retrocessos, refletindo um progresso global inconsistente.

Entre os países que mais avançaram, destacam-se:

  • Equador (+5,1 pontos percentuais)
  • Serra Leoa (+4 pontos)
  • Argélia (+3,9 pontos)

Por outro lado, economias como:

  • Ruanda (-3,8 pontos)
  • Bangladesh (-3,3 pontos)

apresentaram retrocessos expressivos em suas classificações. O ritmo de progresso lento é preocupante, especialmente considerando que o índice global subiu apenas 0,1 ponto percentual em um ano.

Líderes e laggards: europa e o fundo do ranking

A Europa continua a ser a região mais avançada no fechamento das lacunas de gênero, com sete dos dez países mais bem classificados, incluindo:

  • Islândia: Líder global por 15 anos consecutivos, fechando 93,5% de sua lacuna de gênero.
  • Finlândia: Fechou 87,5% da lacuna, ocupando a 2ª posição.
  • Noruega: Em 3º lugar, com 87,5% da lacuna fechada.

Na outra extremidade do ranking, a região do Oriente Médio e Norte da África (MENA) ocupa as últimas posições. O Sudão aparece no final da lista, com apenas 56,8% da lacuna de gênero fechada, seguido pelo Chade e a República Democrática do Congo, que permanecem entre os piores desempenhos globais.

Participação econômica: o maior desafio global

A participação econômica e oportunidades é a dimensão com a maior lacuna de gênero. Apenas 60,5% dessa lacuna foi fechada globalmente, o que revela profundas desigualdades em termos de acesso ao mercado de trabalho, cargos de liderança e paridade salarial entre homens e mulheres.

Países como Bangladesh, Sudão e Paquistão têm menos de 40% de paridade econômica, com apenas 20% a 50% das mulheres participando do mercado de trabalho. Em Bangladesh, por exemplo, o índice de participação feminina no mercado de trabalho é extremamente baixo, e as mulheres ganham apenas 36% do que os homens ganham em termos de rendimento estimado.

Em contraste, economias como Libéria e Botsuana conseguiram alcançar mais de 85% de paridade econômica. Em Botsuana, por exemplo, as mulheres representam 95% dos trabalhadores técnicos e profissionais e alcançaram 100% de paridade em cargos de liderança sênior.

Outro destaque é a Moldávia, que se posiciona entre os líderes em igualdade de oportunidades econômicas, com 83,7% de paridade alcançada. No entanto, a maior parte do mundo ainda enfrenta grandes barreiras para atingir esses níveis.

Educação: quase próximo da paridade

A educação é a dimensão onde o progresso tem sido mais expressivo. 94,9% da lacuna global foi fechada. Países como Nova Zelândia, Namíbia e Argentina alcançaram 100% de paridade educacional, o que significa que homens e mulheres têm acesso igual ao ensino básico, secundário e terciário.

No entanto, alguns países, especialmente na África Subsaariana, ainda apresentam grandes desafios. Chade e República Democrática do Congo têm os piores desempenhos em termos de paridade educacional, com índices abaixo de 80%. A taxa de alfabetização de mulheres nesses países é muito inferior à dos homens, com apenas 66,7% de paridade no acesso à educação no Chade.

Saúde: próxima da igualdade, mas ainda com desafios

A lacuna de gênero na saúde foi fechada em 96% globalmente, o que faz deste o setor mais próximo da paridade. A maioria dos países está muito perto de atingir uma igualdade completa em termos de acesso à saúde e expectativa de vida. No entanto, algumas economias ainda enfrentam desigualdades relacionadas ao acesso à saúde e à expectativa de vida saudável.

Embora o progresso na saúde tenha sido consistente ao longo dos anos, questões relacionadas a disparidades no tratamento e cuidados médicos para mulheres ainda persistem em algumas regiões.

Empoderamento político: o maior desafio global

O empoderamento político é o setor mais preocupante, com apenas 22,5% da lacuna fechada globalmente. O relatório aponta que serão necessários 169 anos para que a paridade total seja atingida nesse campo. Isso ocorre porque as mulheres ainda são profundamente sub-representadas em parlamentos e ministérios em grande parte do mundo.

Países como Islândia e Nicarágua estão à frente, com mais de 60% de suas lacunas políticas fechadas. Em contraste, países como o Irã e o Paquistão têm menos de 12% de representação feminina nos governos.

Acelerando o progresso global

O Global Gender Gap Report 2024 deixa claro que, embora tenha havido avanços, o ritmo de progresso em direção à igualdade de gênero é lento e desigual. O maior desafio reside nas áreas de participação econômica e empoderamento político, que continuam a sofrer com enormes disparidades. A lacuna de gênero ainda existe em todos os países e será necessário um esforço coordenado entre governos, empresas e a sociedade civil para garantir que o progresso rumo à igualdade seja acelerado.

O relatório destaca a necessidade urgente de se concentrar em políticas que promovam a participação econômica e política das mulheres, além de garantir que os avanços educacionais e de saúde sejam mantidos. Só assim será possível acelerar o progresso e reduzir as disparidades de gênero em todo o mundo.

Fonte: Global Gender Gap Report 2024, Fórum Econômico Mundial.