Desafios demográficos e a poupança na América Latina

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A América Latina está em meio a uma transformação demográfica que desafia os sistemas previdenciários e o nível de poupança na região. A redução das taxas de natalidade, combinada com o aumento da longevidade, está pressionando tanto as economias emergentes quanto os sistemas de previdência. Este panorama foi explorado por Gonzalo de Cadenas Santiago, Diretor Executivo Adjunto da Mapfre Economics, em artigo publicado na edição de setembro/outubro de 2024 da Revista da Previdência Complementar.

Segundo Santiago, a América Latina, assim como outras regiões do mundo, não está imune à “deterioração secular”, um fenômeno que inclui a estagnação econômica e o declínio de diversos indicadores sociais e ambientais. Esse processo é amplamente impulsionado por fatores estruturais, como a queda nas taxas de fertilidade e mortalidade, que resultam no envelhecimento populacional. O impacto desse envelhecimento é especialmente visível na proporção de idosos na população total, que deverá subir para 17% até 2045, mais que dobrando em relação ao cenário atual.

O envelhecimento populacional exerce uma pressão crescente sobre a razão de suporte — número de pessoas em idade ativa em comparação com aquelas que atingem a idade de aposentadoria. Essa relação está em declínio há mais de quatro décadas e segue diminuindo à medida que a geração “baby boomer” chega à terceira idade. O efeito é visível em diversos aspectos da economia, desde o mercado imobiliário até os gastos com saúde, tornando o desafio de financiar cuidados de longo prazo e previdência ainda mais acentuado.

Contudo, o envelhecimento não é o único problema. A poupança na América Latina é considerada insuficiente para sustentar o crescimento de longo prazo e garantir investimentos que possam enfrentar esses desafios demográficos. Segundo o artigo, a taxa de poupança bruta na região gira em torno de 20%, uma das mais baixas do mundo, superando apenas a África. O economista destaca que, além da quantidade insuficiente de poupança, sua qualidade também é duvidosa, com pouca diversificação entre os setores e dependência de investimentos externos.

Essa escassez de poupança acarreta consequências graves, como a perda de autonomia financeira e maior vulnerabilidade a choques externos. Para Santiago, as soluções incluem o aumento da formalização do mercado de trabalho, incentivos fiscais para estimular a poupança privada e políticas públicas que melhorem a educação financeira e a confiança nas instituições. Do lado da oferta, o desenvolvimento de sistemas financeiros mais amplos e regulamentações adequadas poderia facilitar a formação de poupança de longo prazo, principalmente no setor de seguros.

Em conclusão, a América Latina precisa de soluções inovadoras para enfrentar os desafios que o envelhecimento populacional impõe à sua economia e ao seu sistema de previdência. A combinação de políticas que incentivem a poupança e o investimento de longo prazo, aliada à melhora das condições econômicas e institucionais, será essencial para garantir a sustentabilidade financeira e social da região nas próximas décadas.

Fonte: Revista da Previdência Complementar, setembro/outubro de 2024. Autor: Gonzalo de Cadenas Santiago, Diretor Executivo Adjunto da Mapfre Economics.