Real Grandeza avalia impacto de cenário negativo sobre planos

Inflação, guinada abrupta na trajetória do juro, ruídos fiscais e incertezas políticas são variáveis que tornam difícil, e em alguns casos pouco provável, aos gestores de fundos de pensão atingir as metas atuariais dos planos de benefícios. Na Real Grandeza, enquanto o plano de Contribuição Definida tem meta de investimentos em IGP-DI mais 3,74%, superando 18,7% até julho, a rentabilidade no período foi de 0,89%. “Por conta da crise, provavelmente teremos que mexer nas contribuições desse plano”, afirma o diretor presidente Sérgio Wilson Ferraz Fontes. “Estamos estudando a troca do IGP-DI por outro indicador mas este ano não tem como fugir desse impacto”.

Apesar disso, ele lembra que os títulos públicos em setembro já estão oferecendo retornos acima das metas e o momento é de aproveitar oportunidades oferecidas pelas NTN-Bs mais longas. No plano de Benefício Definido, o maior da fundação, com patrimônio de R$ 16,49 bilhões ou 89,42% dos recursos totais, a meta atuarial é de INPC mais 4,7%. “Isso deve nos dar alguma folga uma vez que as NTN-Bs com prazo 2055 estão pagando acima de 5% e estamos estudando também a possibilidade de colocar esses títulos na curva”, estima Fontes. Até julho, o retorno anual desse plano que fechou 2020 com superávit de R$ 76,5 milhões, estava positivo em 5,37% e o seu déficit era de 2,5%.

“O nosso BD nunca precisou aumentar contribuições e devemos manter isso. Apesar da crise, ele está longe do limite normativo a partir do qual seria necessário chamar contribuições, então nesse caso devemos terminar o ano um pouco mais tranquilos”, espera. A fundação prepara novo ALM, que será a bússola dos seus investimentos daqui para a frente, e acabou de aprovar seu manual de seleção de gestores, unificando parâmetros para todas as classes de ativos. “Com o novo manual aprovado, queremos começar a fazer as alocações em exterior talvez ainda este ano”, diz Fontes.

A guinada da política monetária este ano representa uma mudança de grande impacto para o conjunto dos fundos de pensão, que agora precisam reajustar suas carteiras e calibrar o movimento de busca de risco que haviam realizado ao longo dos últimos anos, aponta Fontes, que é também diretor da área de investimentos da Abrapp. Ele lembra que três quartos dos recursos do sistema estão sendo impactados diretamente, somando os 52% das carteiras alocados em títulos públicos (76% dos quais em vencimentos longos, superiores a cinco anos) com os pouco mais de 20% investidos em bolsa.

O risco fiscal, aliado às incertezas políticas, provocou a alta do juro acima do que se esperava e derrubou o retorno dos títulos públicos no primeiro semestre, mas Fontes aponta a resiliência das entidades para superar o momento. “A maioria fechou 2020 com gordura para queimar, os gestores agora estão aproveitando oportunidades para reposicionar suas carteiras de títulos públicos e o nosso histórico tem mostrado que as fundações costumam sair das crises melhores do que entraram, então não é hora para desespero”, afirma Fontes.

Fonte: Investidor Institucional