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Copom deve manter Selic nesta quarta em meio a pressão política

assorted banknotes and round silver colored coins

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A deterioração das expectativas de inflação e a desvalorização do real desde a reunião do Copom em maio contribuíram para a percepção de que BC terá de parar o ciclo de cortes

O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia nesta quarta-feira sua decisão sobre a taxa básica de juros, num momento de tensão nos mercados e de pressão política. A expectativa preponderante é que o colegiado mantenha a Selic inalterada em 10,5% ao ano. Mas, para além dos números, os investidores estarão atentos a sinais sobre a condução futura do Banco Central (BC).

Em pesquisa realizada pelo Valor com 132 instituições financeiras e consultorias, divulgada na segunda-feira, a mediana das projeções para a Selic está em 10,5% ao ano, indicando manutenção da taxa na reunião de hoje. Apenas nove casas ainda veem espaço para um corte de 0,25 ponto percentual.

A deterioração das expectativas de inflação e a desvalorização do real desde a reunião do Copom em maio contribuíram para a percepção de que BC terá de parar o ciclo de cortes. Tão importante quanto a decisão em si será como os integrantes do Copom votarão nesta quarta-feira. Em maio, o racha no placar — com 5 votos a favor de um corte de 0,25 ponto e 4 por uma redução de 0,5 ponto — ajudou para piorar o cenário.

Na ocasião, os diretores que defenderam uma redução maior foram justamente aqueles indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dando margem à sensação de que o BC será mais leniente com a inflação após a saída do presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, no fim deste ano. A reação política ao Copom é outro fator a ser observado na decisão desta quarta.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ontem, Lula desferiu ataques a Campos Neto, dizendo que ele tem “lado político” e trabalha para “prejudicar” o país mantendo as taxas de juros elevadas. Campos Neto, por sua vez, foi homenageado pela Assembleia Legislativa de São Paulo e em um jantar promovido pelo governador do Estado, Tarcísio de Freitas, com banqueiros e políticos, no começo da semana passada. O atual presidente do BC é apontado como um possível ministro da Fazenda e Tarcísio caso este resolva concorrer à presidência da República em 2026.

Fonte: Valor Econômico

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