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Semestre fecha com rentabilidade abaixo da meta para planos CV e BD

28 de julho de 2026 · Notícias

As entidades fechadas de previdência complementar encerraram o primeiro semestre de 2026 com rentabilidade consolidada de 6,11 por cento contra meta atuarial de 5,93 por cento, conforme levantamento da consultoria Aditus divulgado em 24 de julho. A folga de 0,18 ponto percentual é estreita para um horizonte de seis meses e não oferece proteção relevante contra reversão no segundo semestre. A amostra é representativa: abrange 142 entidades, 534 planos de benefícios e aproximadamente 482 bilhões de reais em ativos, o que a torna referência adequada para leitura setorial.

A abertura por modalidade revela quadro mais delicado do que sugere o número agregado. Os planos de contribuição definida renderam 6,29 por cento contra meta de 5,69 por cento, com folga de 60 pontos-base. Os planos de benefício definido entregaram 5,97 por cento diante de meta de 5,98 por cento, e os de contribuição variável, 5,93 por cento contra 6,03 por cento. As duas modalidades que concentram risco atuarial relevante, portanto, ficaram aquém do objetivo no semestre. Persistindo o quadro até o encerramento do exercício, a tendência é de consumo de reserva de contingência e de aproximação da fronteira do déficit técnico sujeito a equacionamento nos termos da regulação vigente. Para o atuário responsável, o resultado recomenda revisitar o teste de aderência da taxa real de juros adotada na meta.

A alocação explica o desempenho e antecipa o risco. Ao final de junho a renda fixa respondia por 92,10 por cento das carteiras, seguida de renda variável com 3,53 por cento, investimentos estruturados com 2,73 por cento, investimentos no exterior com 1,34 por cento e imobiliário com 0,29 por cento. O retorno por classe no semestre foi de 6,29 por cento em renda fixa, 3,91 por cento em renda variável, 3,14 por cento em estruturados, 3,24 por cento em imobiliário e 1,82 por cento no exterior. O resultado do sistema está, assim, quase integralmente amarrado ao ciclo de juros, condição confortável enquanto a Selic permanece em patamar elevado, mas que expõe as entidades a risco de reinvestimento na virada sinalizada pelas expectativas de mercado. A concentração também limita a diversificação de fontes de retorno em cenário de compressão do juro real.

A base normativa do exercício foi consolidada. A Secretaria de Regime Próprio e Complementar publicou nova edição da Coletânea de Normas da Previdência Complementar Fechada, com 654 páginas, reunindo leis, decretos, resoluções, instruções e portarias vigentes até junho de 2026. Entre os normativos destacados figuram a Resolução do Conselho Nacional de Previdência Complementar número 63, de setembro de 2025, que viabiliza processos coletivos de inscrição automática de empregados e associados admitidos antes de março de 2024, e a Resolução número 64, de dezembro de 2025, que amplia previsibilidade nas regras de licenciamento de planos e na atualização de benefícios, sobretudo quanto a índices de preços. A primeira altera projeção de massa de participantes, custo normal e escala de custeio; a segunda incide sobre variável central do cálculo da provisão matemática de benefícios concedidos.

No campo da gestão, a Abrapp informou em 27 de julho a consolidação da Conecta como integradora de soluções para as associadas. A estrutura, criada em 2017 como braço comercial da associação e da UniAbrapp, reúne 12 parcerias ativas, 54 entidades usuárias, 60 contratos vigentes e engajamento de 45 por cento das associadas, com portfólio de 13 fornecedores especializados em marketing digital, governança corporativa, inteligência de dados, segurança digital, gestão de riscos e avaliação de riscos psicossociais. Destaca-se a ferramenta de prova de vida ProvaViva, que em dois anos e quatro meses acumula 69 contratos e 3,9 milhões de consultas, adotada por 30 por cento das associadas. Segundo Marcelo Coelho, superintendente-geral da Abrapp, o objetivo é que a entidade perceba valor no conjunto de serviços oferecido.

Também em 27 de julho o Sindapp disponibilizou a Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 do Rio de Janeiro, assinada em 24 de junho, com vigência de 1º de abril de 2026 a 31 de março de 2027 e data-base preservada em 1º de abril. A negociação foi conduzida com o Sindicato dos Empregados nas Entidades e Empresas de Previdência Privada Fechada, e o instrumento trata de reajuste salarial, pisos, auxílio-alimentação, vale-transporte, auxílio-creche, teletrabalho, jornada e regras de rescisão. Os percentuais não foram detalhados na divulgação, constando apenas do texto integral distribuído às associadas por circular. O ponto de interesse atuarial é o efeito sobre o Plano de Gestão Administrativa: reajustes acima da inflação pressionam a taxa de carregamento e o fundo administrativo, competindo com a margem de solvência em planos de benefício definido e incidindo diretamente sobre o saldo do participante nas modalidades de contribuição definida e variável.

No segmento aberto, dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida mostram que os aportes somaram 65,9 bilhões de reais entre janeiro e maio de 2026, queda de 10,5 por cento sobre igual período de 2025. Os resgates totalizaram 59,2 bilhões, recuo de 7,7 por cento, resultando em captação líquida de 6,8 bilhões, com retração de 29 por cento. Os ativos sob gestão alcançaram 1,9 trilhão de reais, alta de 12,9 por cento em doze meses. O Vida Gerador de Benefício Livre concentrou 59,5 bilhões dos aportes, cerca de 90 por cento do total, com 8,6 milhões de planos, ao passo que o Plano Gerador de Benefício Livre respondeu por 5,3 bilhões e 3,2 milhões de planos. O mercado reúne 13,65 milhões de planos e 11,2 milhões de participantes, dos quais aproximadamente 8,9 milhões em contratos individuais.

O contraste entre estoque em expansão e captação líquida em retração indica que o crescimento do patrimônio decorre de rentabilidade, e não de entrada de recursos novos, o que pressiona a receita de carregamento do segmento aberto. A predominância do produto de acumulação sem renda vitalícia mantém baixa a exposição das seguradoras a risco biométrico e concentra o risco em resgate e liquidez. Registre-se que PREVIC e Ministério da Previdência Social operam com conteúdo reduzido em seus portais desde 4 de julho, em razão do defeso eleitoral, o que desloca o fluxo informativo do setor para as fontes associativas.