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Monitor do PIB da Fundação Getúlio Vargas aponta alta de 0,3% no segundo trimestre e queda de 1,1% em junho, com deflação corrente e greve no instituto de estatística

18 de agosto de 2026 · Notícias

O Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas, divulgado às 10h44 de segunda-feira, 17 de agosto de 2026, estimou crescimento de 0,3% do produto interno bruto no segundo trimestre ante o primeiro, na série com ajuste sazonal, e de 1,7% na comparação com o segundo trimestre de 2025. Em junho, a estimativa aponta recuo de 1,1% sobre maio e avanço de 1,9% sobre junho do ano anterior. O acumulado de doze meses ficou em 1,8%, com produto do primeiro semestre de 6,557 trilhões de reais a valores correntes e taxa de investimento de 18,5%. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 2,6% na comparação interanual e a formação bruta de capital fixo avançou 1,6%. A pesquisa é coordenada pela economista Juliana Trece, que registra desaceleração nas três grandes atividades, agropecuária, indústria e serviços.

A leitura converge com a do índice de atividade econômica do Banco Central, que apontou recuo de 0,6% em junho e alta de 0,2% no trimestre, e afasta as projeções oficiais de 2026 da trajetória contratada. A mediana de mercado para o crescimento do ano está em 1,98%, e a projeção do governo federal, apresentada no boletim macrofiscal da secretaria de política econômica de 16 de julho, permanece em 2,3%, com inflação revista de 4,5% para 5,1%. Crescimento de 0,3% no trimestre implica carregamento estatístico incompatível com qualquer das duas projeções sem aceleração relevante no segundo semestre, e produto abaixo do projetado é a variável que sustenta a arrecadação previdenciária, tanto no regime geral quanto na folha das patrocinadoras das entidades fechadas.

Os indicadores de preços de alta frequência divulgados na mesma janela apontam desinflação corrente aguda. O índice de preços ao consumidor semanal da fundação recuou 0,39% na segunda quadrissemana de agosto, após queda de 0,05% na primeira, com acumulado de 3,91% em doze meses. Sete dos oito grupos de despesa desaceleraram ou aprofundaram queda, com habitação passando de alta de 0,41% para queda de 1,29%, vestuário em queda de 1,29% e comunicação revertendo alta de 0,05% para queda de 0,80%. Entre os itens, a tarifa de eletricidade residencial caiu 8,00%, o tomate recuou 27,75% e a batata-inglesa, 27,71%, enquanto cigarros subiram 13,90% e o item de plano e seguro de saúde avançou 0,46%. As sete capitais pesquisadas registraram queda, movimento que não ocorria nas leituras anteriores, quando São Paulo e Brasília ainda apareciam em terreno positivo.

O contraste com a leitura oficial de julho é o dado que importa para quem projeta obrigações indexadas. O índice de preços ao consumidor amplo subiu 0,07% em julho, com 3,44% no ano e 4,44% em doze meses, e teve na energia elétrica residencial o maior impacto individual de alta, com variação de 1,53% em junho para 3,09% em julho, equivalente a 0,13 ponto percentual. A reversão de 8,00% observada agora na mesma rubrica indica mudança de bandeira tarifária na virada do mês e antecipa leitura oficial de agosto substancialmente mais benigna no grupo habitação. Para carteiras de benefícios reajustados pelo índice oficial, o efeito é de alívio temporário sobre o valor presente das obrigações; para contratos indexados a índices gerais, a distância entre as famílias de índices continua a produzir descolamento relevante de fluxo.

A política monetária foi tratada publicamente no mesmo dia. Na abertura da 27ª conferência anual do Santander, em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade conduz a taxa mirando patamar contracionista e classificou o uso do cartão de crédito como preocupação permanente, independentemente do momento do ciclo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, citou duas medidas anunciadas na semana anterior que miram 10 bilhões de reais de contenção de despesas em 2027 e classificou o custo de captação como quase proibitivo com a taxa básica em 14,00% ao ano. A ata da 280ª reunião do comitê de política monetária, publicada em 11 de agosto, projeta inflação de 5,1% em 2026 e 3,8% em 2027.

O mercado seguiu em direção oposta à dos indicadores. O índice da bolsa paulista encerrou 17 de agosto em 166.783,57 pontos, queda de 0,09%, na décima sessão consecutiva de perdas, com volume financeiro de 23,10 bilhões de reais, e a saída de investidores estrangeiros em agosto alcançou 15,6 bilhões. O dólar comercial fechou próximo de 5,20 reais.

Um risco operacional novo se instalou sobre a produção estatística. O sindicato dos servidores do instituto de geografia e estatística deflagrou greve anunciada em 17 de agosto, com adesão registrada ao menos na superintendência da Bahia e na sede e unidades do Rio de Janeiro, em oposição a mudanças na remuneração dos agentes de coleta, no regime de trabalho dos aprovados em concurso recente e nas regras de progressão. Clician Oliveira, diretor da entidade sindical, afirmou não haver indicativo de impacto no calendário de divulgações até o momento, e o instituto informou seguir funcionando normalmente. A relevância atuarial é direta: índice oficial de preços, índice nacional de preços ao consumidor e pesquisa domiciliar contínua alimentam reajuste de benefícios, hipóteses de crescimento salarial e projeções de população coberta, e interrupção de coleta produz efeito que se propaga por vários exercícios de avaliação.