IFoA cobra financiamento estável do cuidado de longa duração com a população de 85 anos dobrando

O Institute and Faculty of Actuaries publicou em 29 de julho de 2026 declaração pedindo que a reforma do sistema de cuidado social na Inglaterra se concentre em soluções sustentáveis e de longo prazo. O documento é assinado por Tom Kenny, presidente do grupo de trabalho de cuidado social da entidade, que registrou a necessidade crítica de reforma e a expectativa de que a antecipação da data de publicação das recomendações traga também a antecipação da implementação. O número demográfico que sustenta o argumento, atribuído ao instituto oficial de estatística britânico, é direto: a parcela da população do Reino Unido com 85 anos ou mais deve praticamente dobrar em vinte e cinco anos, passando de 2,5% para 4,9% do total.
O contexto que motivou a manifestação é a antecipação em um ano das recomendações da comissão presidida por Louise Casey, agora previstas para meados de 2027, acompanhada de acordo de remuneração no setor com 500 milhões de libras alocados. O sistema britânico ocupa 1,5 milhão de trabalhadores de cuidado e apoio, e mais de um em cada três beneficiários de cuidado de longa duração financiado publicamente tem entre 18 e 64 anos, o que desmonta a leitura de que se trata de despesa exclusivamente geriátrica. A entidade insiste em modelo de financiamento que seja justo do ponto de vista intergeracional.
O ponto interessa ao trabalho atuarial brasileiro por razão estrutural. Risco de cuidado de longa duração é risco biométrico e de custo simultaneamente: depende da incidência de dependência funcional, da duração média do estado de dependência e do custo unitário do cuidado, três variáveis com séries curtas e com correlação positiva entre si. Diferentemente da renda vitalícia, em que ganho de longevidade eleva o passivo de forma aproximadamente proporcional, no cuidado de longa duração o efeito é convexo, porque a probabilidade de dependência cresce mais que linearmente com a idade. Programa financiado por repartição sem provisionamento transfere integralmente essa convexidade para a geração futura de contribuintes, que é justamente a que encolhe.
Do lado da mortalidade, a leitura corrente segue favorável e com sinal de inflexão de curto prazo. O boletim EuroMOMO da semana 30, publicado em 30 de julho, informa que as estimativas agregadas mostram nível elevado de mortalidade desde a semana 26 de 2026, afetando particularmente alguns países, com a ressalva de que os óbitos das três semanas mais recentes devem ser lidos com cautela pela imprecisão do ajuste de registros atrasados. A rede cobre vinte e sete países ou regiões subnacionais e passou a excluir os anos de 2020 a 2022 do cálculo da mortalidade esperada, para evitar contaminação pandêmica da linha de base.
Esse repique convive com mínimos históricos no acumulado. O monitor de mortalidade do Continuous Mortality Investigation, de 8 de julho, aponta que a taxa padronizada cumulativa do primeiro semestre de 2026 na Inglaterra e no País de Gales ficou 5,4% abaixo da média dos dez anos anteriores e 2,4% abaixo da observada em 2025, com queda de 3,8% na faixa de zero a 64 anos, de 6,1% entre 65 e 84 anos e de 5,1% acima de 85 anos. A explicação principal está nas causas respiratórias: gripe e pneumonia responderam por 40.318 óbitos no semestre, contra 47.917 no mesmo período de 2025, e a covid-19 por 777 óbitos, contra 2.329 em 2025 e 11.700 em 2023. Steve Bale, presidente do comitê de projeções de mortalidade da instituição, atribuiu o recorde à continuidade da menor mortalidade por gripe e pneumonia. Nos Estados Unidos, a taxa ajustada por idade de 2025 ficou em 689,2 por cem mil, queda de 4,6% sobre 2024, e análise publicada em 3 de agosto registra que a diferença de expectativa de vida entre o país e a média dos pares da OCDE caiu de 4,1 para 3,7 anos entre 2023 e 2024.
A prática de mercado ainda não incorporou esses ganhos. O documento de trabalho nº 213 do Continuous Mortality Investigation, de 7 de julho, reúne a sexta pesquisa anual de comparação do modelo, respondida por vinte e cinco assinantes, sendo dezoito seguradoras e sete resseguradoras: a versão CMI_2024 era a mais utilizada nos fechamentos de 31 de dezembro de 2025, 60% esperam migrar para a CMI_2025 até o fim de 2026. O impacto médio da pandemia sobre as premissas, ponderado por passivo, foi de redução de 1,1% na expectativa de vida aos 65 anos.
Para quem avalia planos brasileiros, há um achado técnico recente que merece mais atenção que a variação anual de escala. Estudo de Eduardo Fraga L. de Melo, Michael Ludkovski e Rodrigo S. Targino, publicado em versão eletrônica no Annals of Actuarial Science em 8 de maio de 2026, estima que aposentados de fundos de pensão brasileiros apresentam mortalidade de 40% a 55% abaixo da média nacional. A ordem de grandeza dessa diferença supera, com folga, qualquer ajuste anual de escala de melhoria, e recomenda que a discussão sobre tábua nas entidades fechadas e nos regimes próprios se desloque da escolha entre versões de tábua de mercado para a estimação da experiência da própria massa. A referência oficial doméstica segue sendo a Tábua Completa de Mortalidade de 2024, divulgada pelo IBGE em novembro de 2025, com expectativa de vida ao nascer de 76,6 anos e sobrevida média de 22,6 anos aos 60 anos.