Andrea Mente é eleita diretora do Instituto Brasileiro de Atuária

A sócia atuarial da Assistants assume a pasta de Benefícios a Empregados com plataforma construída sobre a prerrogativa do atuário no setor público, a tendência de custo médico e a aproximação com a Comissão de Valores Mobiliários.
O Instituto Brasileiro de Atuária divulgou em 16 de setembro de 2026 o resultado da sua eleição. Andrea Mente, MIBA 1088, sócia atuarial da Assistants Consulting, foi eleita diretora de Benefícios a Empregados. A candidatura partiu de um diagnóstico: a área atravessa a maior expansão de fronteira técnica das últimas décadas, movida por três vetores simultâneos. A convergência contábil do setor público deixou de ser projeto e passou a produzir obrigação exigível. As premissas atuariais passaram a ser objeto de questionamento formal por auditores, reguladores e executivos hoje muito mais preparados para discutir resultado atuarial. E a longevidade avança enquanto a inflação médica alcança patamares insustentáveis, o que torna as obrigações de assistência à saúde um passivo com frequência subestimado.
Sobre esse diagnóstico, a plataforma fixou três pilares.
A NBC TSP 15 e a prerrogativa do atuário
A NBC TSP 15, editada pelo Conselho Federal de Contabilidade em 18 de outubro de 2018 por correspondência à IPSAS 39 e revisada pela NBC TSP 15 (R1), aprovada em 13 de novembro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União em 17 de março de 2026, disciplina o reconhecimento e a mensuração dos benefícios a empregados no setor público. Os prazos do Plano de Implantação dos Procedimentos Contábeis Patrimoniais já se esgotaram, e o item relativo à provisão atuarial dos regimes próprios foi classificado como de adoção imediata para todos os entes. Não há mais prazo a cumprir. Há passivo a reconhecer, e virá disso um aumento expressivo de avaliações em entes, autarquias, fundações e estatais, parte relevante dos quais jamais registrou essa obrigação.
Nem a NBC TSP 15 nem o IAS 19 obrigam o envolvimento de atuário. O setor privado convive bem com essa ausência, e a razão é estrutural: auditoria independente, mercado de capitais e governança societária que vincula responsabilidade pessoal dos administradores à qualidade da informação produzem autorregulação.
O setor público tem desenho distinto. A fiscalização cabe às cortes de contas, cuja tradição de exame se concentra na execução orçamentária, e existe custo político em reconhecer obrigação elevada. Somada a contratação pelo critério de menor preço, a conclusão se impõe: se o edital não exigir atuário, o trabalho não será feito por atuário.
A agenda proposta dá continuidade ao trabalho iniciado em 2022 junto à Secretaria do Tesouro Nacional, ao Conselho Federal de Contabilidade e ao Tribunal de Contas da União, aprofundado em seminários e apresentações entre 2023 e 2025, com ampliação da fundamentação técnica e da articulação com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil. Diante de mais de trinta cortes de contas, a articulação eficaz é a coletiva.
A ampliação do estudo de tendência de custo médico
A tendência de custo médico é a hipótese de maior impacto e de menor padronização nas avaliações de benefícios assistenciais pós-emprego. A prática corrente ancora projeções em séries curtas de reajuste, em extrapolações de índices setoriais e em taxas de longo prazo importadas de jurisdições cuja estrutura de financiamento da saúde não se assemelha à brasileira.
A proposta reúne duas frentes. A primeira é a adaptação do modelo de Getzen à realidade nacional, o que exige revisitar seus parâmetros de convergência de longo prazo à luz da composição do gasto em saúde no Brasil. A segunda é o trabalho intercomitês com o comitê técnico de Saúde, que reúne a experiência de quem observa o custo assistencial pelo lado da operadora.
A aproximação com a Comissão de Valores Mobiliários
O canal técnico com a Comissão de Valores Mobiliários foi aberto em 2025, por apresentação à diretoria da autarquia, movimento que culminou com a participação da instituição no 15º Congresso Brasileiro de Atuária. A proposta é dar prosseguimento com a intensidade que o tema pede, estreitando o canal e levando conteúdo técnico à instituição.
Entre as frentes cogitadas estão um pronunciamento sobre a taxa de desconto em cenário de queda de juros e o tratamento do compartilhamento de riscos, tema que ganha relevo com a proposta de revisão das regras de solvência das entidades fechadas, formulada pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar e hoje em debate no Conselho Nacional de Previdência Complementar.
Uma agenda deliberadamente realista
A plataforma registra que o trabalho associativo é voluntário e que, por isso, a escolha foi por agenda executável em lugar de lista de intenções. É uma decisão de método, e das mais difíceis de sustentar em processo eleitoral.
Separação de papéis
A Assistants registra que o mandato associativo se exerce em nome da profissão. As manifestações de Andrea Mente na condição de dirigente do instituto são institucionais e não se confundem com a atividade da consultoria, nem implicam chancela do instituto a esta casa.