Estados Unidos registram a menor mortalidade ajustada de sua série e reabrem a discussão sobre escalas de melhoria

O relatório Mortality in the United States: Provisional Data, 2025, publicado em 2 de julho de 2026 pelo National Center for Health Statistics na série Vital Statistics Rapid Release sob o número 44, registrou 3.094.593 óbitos no país em 2025 e taxa de mortalidade ajustada por idade de 689,2 por cem mil habitantes, redução de 4,6% frente aos 722,1 apurados em 2024 e menor patamar de toda a série histórica americana. As três principais causas foram doenças cardíacas, com 694.708 óbitos, câncer, com 622.832, e lesões não intencionais, com 184.265.
A abertura por subgrupo é mais informativa que o agregado. Homens registraram taxa de 811,1 por cem mil e mulheres, 582,9, razão de 1,39 entre os sexos. Entre grupos raciais e étnicos, a população negra não hispânica apresentou a maior taxa, 869,0 por cem mil, e o grupo multirracial não hispânico, a menor, 187,3. A dispersão entre subgrupos, superior a quatro vezes entre os extremos, é ordens de grandeza maior que a variação anual do agregado, de 4,6%. O achado sustenta, na prática, a segmentação da tábua por nível socioeconômico em vez da aplicação de fator único de ajuste sobre uma tábua de população geral.
O movimento não é isolado. O Continuous Mortality Investigation informou em 9 de julho que a mortalidade padronizada do primeiro semestre de 2026 na Inglaterra e no País de Gales foi a mais baixa já registrada para um primeiro semestre, 5,4% abaixo da média dos dez anos anteriores e 2,4% melhor que a do primeiro semestre de 2025. Duas jurisdições com sistemas de saúde, estruturas etárias e perfis de causa distintos convergiram para mínimos históricos no mesmo período, o que reduz a plausibilidade da hipótese de anomalia estatística local e reforça a de melhoria efetiva de nível.
É contra esse pano de fundo que se lê a atualização de 2026 do Mortality Improvement Model, publicada pela Society of Actuaries em 23 de junho. A revisão incorpora dados históricos até 2023, quatro anos a mais que a versão anterior, aprimora o alinhamento entre as bases do National Center for Health Statistics e da Social Security Administration. A escala de melhoria MP-2021 não foi alterada, e os dados a partir de 2020 não foram incorporados às projeções futuras.
A decisão de excluir a experiência pandêmica e imediatamente posterior das projeções é defensável e assimétrica em seus riscos. Se a queda observada em 2025 for reversão de nível, isto é, ajuste após o excesso de mortalidade dos anos anteriores, incorporá-la produziria escala de melhoria superestimada e reservas excessivas. Se for melhoria estrutural, a exclusão subestima o ganho futuro e deixa insuficientes as provisões de renda vitalícia e de benefício definido em pagamento. A convergência entre os dados americanos e britânicos desloca a probabilidade em favor da segunda hipótese, sem ainda a confirmar, e recomenda tratamento por cenário em vez de escala única.
No mercado britânico, a calibragem já se move. O modelo CMI_2025, ajustado com dados populacionais até 31 de dezembro de 2025, produz expectativa de coorte aos 65 anos aproximadamente oito semanas maior para homens e seis semanas maior para mulheres que a versão precedente. O documento de trabalho nº 213, divulgado em 7 de julho, reúne a sexta pesquisa anual de comparação do modelo, respondida por 25 assinantes, sendo 18 seguradoras e 7 resseguradoras: o CMI_2024 foi o mais utilizado nos fechamentos de 2025 e 60% dos respondentes declararam intenção de adotar o CMI_2025 até dezembro de 2026. A título de ordem de grandeza, oito semanas adicionais sobre uma expectativa de aproximadamente vinte anos aos 65 elevam o valor presente de uma renda vitalícia em menos de 1%, efeito modesto na revisão isolada e relevante quando se acumula a cada calibragem anual sobre a totalidade da massa de assistidos.
No Brasil, a referência permanece a Tábua Completa de Mortalidade de 2024, divulgada pelo IBGE em 28 de novembro de 2025 e base legal do fator previdenciário. A expectativa de vida ao nascer alcançou 76,6 anos, recorde da série, com 73,3 anos para homens e 79,9 para mulheres, diferencial de 6,6 anos. Aos 60 anos, a sobrevida média é de 22,6 anos, sendo 24,2 para mulheres e 20,8 para homens. A próxima tábua, referente a 2025, está prevista para novembro de 2026, e o Decreto nº 3.266, de 1999, obriga a divulgação anual no Diário Oficial da União até 1º de dezembro, com data de referência de 1º de julho do ano anterior. Se a tendência internacional se reproduzir aqui, a revisão de novembro tende a trazer ganho superior aos 2,5 meses observados entre 2023 e 2024.
Na agenda doméstica, não houve divulgação demográfica estrutural entre 28 de julho e 4 de agosto. Da PNAD Contínua do trimestre encerrado em junho, divulgada em 30 de julho, extraem-se os agregados de mercado de trabalho relevantes para a base de contribuintes: 103,1 milhões de pessoas ocupadas, força de trabalho de 108,9 milhões, 66,5 milhões fora da força de trabalho e 5,9 milhões de desocupados, com taxa de desocupação de 5,4%. A relação entre população fora da força de trabalho e população ocupada, próxima de 0,65, é o indicador que efetivamente pressiona o custeio de repartição, e não a expectativa de vida isoladamente.