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Mortalidade por hepatite B em alta e lacuna de saúde feminina concentrada na idade produtiva

28 de julho de 2026 · Notícias

A Organização Mundial da Saúde divulgou em 27 de julho o relatório de progresso de meio-termo das estratégias globais do setor saúde para HIV, hepatites virais e infecções sexualmente transmissíveis, referentes ao período de 2022 a 2030. Ao final de 2025, 32 milhões de pessoas vivendo com HIV recebiam terapia antirretroviral, embora 9 milhões permanecessem sem acesso ao tratamento. Desde 2010, as novas infecções por HIV recuaram 42 por cento e as mortes relacionadas à aids caíram 57 por cento. Em hepatites virais, as infecções anuais por hepatite B diminuíram 32 por cento desde 2015 e as mortes por hepatite C recuaram 12 por cento no mesmo intervalo, ao passo que a mortalidade associada à hepatite B aumentou 17 por cento. As hepatites virais causaram 1,3 milhão de óbitos em 2024. O progresso em infecções sexualmente transmissíveis é classificado como desigual, com taxas em elevação em diversos países.

A elevação da mortalidade por hepatite B contraria a hipótese usual de decremento decrescente adotada na construção de tábuas de mortalidade e merece atenção específica na subscrição de seguros de vida individual e prestamista, particularmente em carteiras com exposição a populações de maior prevalência. A redução expressiva da mortalidade por aids, em sentido inverso, sustenta revisão de agravos e de critérios de aceitação para pessoas vivendo com HIV, prática que em muitas seguradoras ainda reflete parâmetros epidemiológicos de duas décadas atrás. O organismo informa também que o lenacapavir, profilaxia injetável de ação prolongada, já é introduzido em 10 países, com implantação planejada em outros 14. Eventual incorporação desse medicamento ao rol nacional alteraria a estrutura de custo assistencial de prevenção, com reflexo sobre sinistralidade e sobre a revisão técnica de produtos de assistência à saúde.

Estudo do Fórum Econômico Mundial elaborado com o McKinsey Health Institute, apresentado em 23 de julho, quantifica a lacuna de saúde feminina com precisão incomum. As mulheres permanecem 25 por cento mais tempo em condição de saúde deteriorada do que os homens e apresentam probabilidade 50 por cento maior de óbito no ano seguinte a um infarto. A lacuna representa aproximadamente 1 trilhão de dólares de oportunidade econômica perdida por ano, e cerca de um terço decorre de falhas na entrega do cuidado, não de diferenças biológicas ou de acesso a tecnologia. O material registra ainda que aproximadamente 20 por cento das mulheres apresentam depressão pós-parto.

O achado de maior interesse atuarial é a distribuição etária. A lacuna é muito mais pronunciada entre 20 e 60 anos, ou seja, concentra-se nos anos produtivos e não no fim da vida. Essa é exatamente a faixa de exposição de seguros de vida em grupo, de produtos prestamistas e, sobretudo, de benefícios por incapacidade, tanto no auxílio por incapacidade temporária do regime público quanto nas coberturas de invalidez dos planos de previdência complementar. O dado recomenda revisão de tábuas de entrada em invalidez segmentadas por sexo, hipótese que em boa parte das avaliações ainda é tratada de forma agregada ou com fatores de ajuste herdados de experiência antiga.

O estudo apresenta ainda retornos mensurados sobre intervenções, insumo direto para programas de promoção à saúde. O rastreamento por mamografia com aproveitamento de indicadores de doença cardíaca gera retorno estimado entre três e seis vezes o investimento, e o acompanhamento pós-gestacional, entre três e cinco vezes, com custo de 400 a 450 dólares por mulher, contra mais de 100 mil dólares por evento cardiovascular evitado.

Ainda no âmbito do Fórum Econômico Mundial, análise publicada em 24 de julho trata da erosão do exame clínico presencial diante da difusão da inteligência artificial em saúde, mercado projetado em 427,5 bilhões de dólares até 2032. O texto registra que, na década de 1960, até três quartos do ensino clínico ocorriam à beira do leito, enquanto hoje o tempo mediano de permanência é de dois minutos e meio por dia. Cita pesquisa segundo a qual a anamnese responde sozinha por 70 a 80 por cento da definição diagnóstica, e o exame físico por outros 10 a 20 por cento. A deterioração da acurácia presencial tende a elevar a frequência de sinistros em responsabilidade civil profissional médica e a estimular sobrediagnóstico, com efeito sobre a variação de custo médico-hospitalar e sobre a provisão de sinistros ocorridos e não avisados nos ramos elementares.

A International Actuarial Association divulgou em 22 de julho seu boletim periódico, com registro da participação da entidade na London Climate Action Week e na série sobre seguro e transição promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, além de colaboração prevista com o comitê de sustentabilidade climática e de presença em mesa global sobre inclusão financeira. Estão programados o seminário do comitê ASTIN sobre constituição individual de reservas em produtos multicobertura, em 29 de julho, encontro do subcomitê da Ásia sobre conduta profissional e aplicação de princípios atuariais em situações complexas, em 30 de julho, e sessão sobre gestão integrada de riscos aplicada à análise de solvência, em 25 de agosto. A associação informa ainda que passou a oferecer tradução automática de seu sítio, inclusive para português.

A pauta interessa ao mercado brasileiro em duas frentes. A aproximação entre a associação internacional e o programa ambiental das Nações Unidas antecipa padrões que tendem a alcançar a regulação nacional pela agenda de riscos ambientais, sociais e de governança. O seminário sobre constituição individual de reservas trata de técnica de provisionamento granular aplicável a sinistros ocorridos e não avisados em ramos elementares. Registre-se, quanto à base demográfica, que a revisão vigente das projeções populacionais das Nações Unidas permanece a de 2024 e que a tábua completa de mortalidade mais recente do IBGE, de novembro de 2025 com referência a 2024, aponta expectativa de vida ao nascer de 76,6 anos, maior valor já registrado no país.