Setor de seguros pode crescer 12% em 2021,diz CNSeg

Dados da entidade mostram que o setor cresceu 16,8% no ano até julho na comparação com o mesmo período de 2020

O setor de seguros pode crescer 12% em 2021, avalia a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg). Segundo o presidente da entidade, Marcio Coriolano, “os dados do setor em julho mostram um ritmo de crescimento consolidado e, apenas se houver um agosto muito ruim, a tendência é manter a taxa em dois dígitos”. A confederação trabalha com um piso de avanço de 8,5% para o mercado de seguros no ano, no pior cenário. Os dados da entidade mostram que o setor cresceu 16,8% no ano até julho na comparação com o mesmo período de 2020.

A categoria aumentou a vantagem na liderança do mercado para o segmento de danos e responsabilidades, que soma prêmios de R$ 49,9 bilhões e crescimento de 14,5% ante o mesmo período do ano passado. “Esse desempenho setorial no acumulado do ano até julho foi superior ao de outros setores de atividade econômica”, afirma o presidente da CNSeg. Segundo Coriolano, os dados dos sete primeiros meses do ano repetiram a tendência já verificada no semestre. “Há forte aumento das receitas, mesmo contra uma base crescentemente aumentada pela recuperação observada no ano passado a partir de junho.”

A influência dos planos de previdência privada aberta nos resultados do setor permanece forte. Os planos VGBL cresceram 23,2%. De acordo com o dirigente, em termos agregados, o setor de seguros, atualmente, está R$ 5,9 bilhões acima da arrecadação vista antes da pandemia, nos últimos sete meses de 2019. A taxa de crescimento anualizada até julho de 2021 ficou em 11,9%. Na comparação entre julho contra o mesmo mês do ano anterior, a taxa atingiu 3,2%. Na visão de Coriolano, o ritmo de crescimento ano contra ano tende a ser menor a partir do segundo semestre por conta do efeito estatístico. Na primeira metade de 2020, houve uma paralisia em praticamente todos os setores diante das incertezas trazidas pela deflagração da pandemia, a partir de março.

No entanto, no segundo semestre a atividade começou a retornar e as taxas de crescimento aceleraram no setor de seguros. Diante desse efeito, “cada vez que a gente vai prosseguindo em 2021 e comparando necessariamente com 2020, o crescimento das taxas talvez não consiga suportar o ritmo que a gente observou no segundo semestre do ano passado, que teve uma curva muito acentuada”.

Para Coriolano, “a gente está sentido o próprio setor como se tivesse voltado plenamente à atividade [no país]”. O presidente da CNSeg acredita que, no restante do ano, o cenário tende a se manter favorável para o crescimento do setor. “As empresas estão planejando a volta aos escritórios, todo mundo está ajustando os orçamentos e força de vendas, e, nesse ambiente, tudo melhora de humor.”

O dirigente aponta ainda que a sinistralidade de produtos afetados pela pandemia, como saúde e vida, mostra sinais que o auge do impacto ficou para trás. Além disso, o ciclo de alta dos juros promovido pelo Banco Central tende a ajudar no resultado financeiro das companhias no segundo semestre. “A alta da Selic tende a ajudar bastante até o fim do ano, considerando que os juros ainda estavam baixos na primeira metade do ano, o que restringiu os resultados financeiros”, avalia.

Fonte: Valor Econômico