Seguradoras pagaram quase R$ 4bi em indenizações às vítimas da covid, diz FenaPrevi

Segundo vice- presidente da federação, 89 mil famílias receberam o dinheiro referente às coberturas por morte provocada pela doença, o que representa 15% do total de óbitos pelo novo coronavírus

As seguradoras brasileiras pagaram desde o início da pandemia até julho R$ 3,7 bilhões em indenizações às famílias das vítimas da covid-19, afirmou o CEO da Zurich e vice-presidente da Federação Nacional de Vida e Previdência (FenaPrevi), Edson Franco. O executivo participou, nesta quarta-feira (29), de evento on-line promovido pela Fitch.

Segundo o dirigente, “as indenizações de covid-19 pagas pelas seguradoras vão, com certeza, superar os R$ 4 bilhões até o fim do ano”. Franco também citou que 89 mil famílias receberam o dinheiro referente às coberturas por morte de covid-19, “o que representa cerca de 15% do total de mortes pela doença”. Na avaliação do CEO da Zurich, o percentual “está em linha com o tamanho do mercado de seguro de vida no Brasil, com a representatividade das coberturas tanto de individual quanto em grupo”.

Para Franco, esse suporte que as seguradoras puderam fornecer à sociedade só ocorreu porque “as companhias que operam com produto vida, no início da pandemia, tomaram a decisão de não exercer a cláusula de exclusão de risco de pandemia e assim cobrir as mortes causadas pela covid-19”.

O diretor da Fitch Ratings, Alexandre Chang, afirma que a sinistralidade nas linhas ligadas a pessoas ainda está pressionada. De acordo com Chang, os ratings das seguradoras nacionais podem ser afetados pelo rating soberano brasileiro — que está sob perspectiva negativa desde maio de 2020. Esse impacto pode ocorrer dentro de duas perspectivas, disse. “Dentro de uma avaliação quanto ao ambiente operacional dos países onde as seguradoras operam e na perspectiva do nível de exposição de risco nas carteiras das
seguradoras”, apontou.

Conforme o diretor da Fitch, além da ótica do rating soberano, a agência avalia o ambiente operacional em termos de supervisão regulatória, sofisticação técnica do mercado de seguros, perfil competitivo e desenvolvimento mercado de capitais da região. “A exposição a ativos soberanos nas carteiras das seguradoras também fazem parte dessa análise”, ponderou.

No caso brasileiro, as seguradoras e entidades de previdência complementar alocam grande parte dos portfólios em títulos do governo. “Quase um terço da dívida soberana local está nas mãos dessas entidades”, disse.

Fonte: Valor Econômico