Operadoras buscam redução de custos

Fazer a gestão da saúde é a prioridade máxima para as operadoras de planos privados, num cenário de receita em baixa e custos em alta. Para se ter uma ideia do problema, os gastos com saúde crescem em ritmo mais acelerado que o da inflação geral de preços ao consumidor no Brasil. Entre 2008 e 2016, a série assinala um acúmulo de 179,3% nas despesas assistenciais per capita, enquanto a variação do IPCA foi de 72,5%, segundo a publicação ‘Por Dentro da Saúde Suplementar – Variação da Despesa Assistencial Per Capita’. A média mundial situa-se abaixo de 45%.

“Essa escalada onera, em última instância, os contratantes individuais, as empresas e dificulta o equilíbrio econômico-financeiro das operadoras de planos e seguros de saúde”, Solange Beatriz, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). Para driblar reajustes acima do suportado pelo bolso do consumidor a saída tem sido a tecnologia, tanto para reduzir custos administrativos, evitar fraudes e desperdícios, como para oferecer programas de prevenção que melhorem a qualidade de vida dos pacientes e, consequentemente, reduzam as idas ao médico e hospitais.

A Amil tem vários projetos em curso. A partir de setembro, os 1,4 milhão de usuários que têm plano com co-participação (o usuário paga um percentual do serviço utilizado) poderão acessar um simulador, com geolocalização, que permite a escolha dos serviços médicos mais próximos. “Ao clicar no serviço, o sistema reconhece o tipo de plano e mostra ao cliente o valor que será descontado dele na folha de pagamento”, diz Sergio Ricardo Santos, CEO da Amil. Outra ação pioneira é o uso de token para validação do atendimento, que recebeu cerca de R$ 5 milhões em investimento e começou em agosto. Além de um ganho evidente para o cliente, os prestadores de serviços terão a vantagem da confirmação de que o plano do cliente realmente dá direito aos procedimentos que serão realizados no local. O token também ajudará a reduzir o número de fraudes no sistema.

Só este ano, a operadora registrou mais de 1,5 mil denúncias, das quais 246 foram
confirmadas como fraudes, abusos e desperdícios. A expectativa é de que até dezembro todos os 6,1 milhões de clientes passem a utilizar o método. A principal aposta da Sul América é no Programa Saúde Ativa, que busca soluções de prevenção  e gestão de doentes crônicos a partir de uma visão holística do bem estar.

Atualmente, o programa mantém mais de 75 mil segurados ativos em alguma das iniciativas. “Temos mais de 26 mil segurados em acompanhamento por Consultor de Bem-Estar”, informa Mauricio Lopes, vice-presidente de saúde da Sul América. São mais de 30 mil segurados ativos na iniciativa Envelhecimento Saudável e 34 mil avaliações de bem estar preenchidas na plataforma on-line do programa. A orientação médica telefônica está disponível para mais de 1 milhão de beneficiários.

Outra ação que tem feito sucesso na Sul América é o reembolso digital por meio do celular. A novidade, que tem um arsenal de inteligência artificial por trás, conquistou os clientes logo no primeiro mês de lançamento. “Facilitou a vida do cliente, que faz tudo pelo celular, e ajudou a reduzir os custos da companhia, que tinha centenas de pessoas para cuidar deste assunto e agora tem menos de 10.”

Um dos destaques da gestão na Bradesco Saúde é o programa Meu Doutor, Segunda Opinião Médica e a Novamed, que oferecem atendimento ambulatorial primário em várias especialidades, realiza consultas, exames de apoio diagnóstico e
procedimentos cirúrgicos. “O objetivo do programa é ter o auto conhecimento, oferecer ferramentas para o auto cuidado e o resultado é a melhora da qualidade de vida da pessoa, da falta ao trabalho e também a redução do valor do plano de saúde”, diz Flávio Bitter, diretor da Bradesco Saúde.

A consulta pode ser agendada on-line com mais de 500 médicos que já aderiram ao programa até mesmo para o mesmo dia, o que evita a ida de pessoas com sintomas corriqueiros a um atendimento de urgência em Pronto Socorro, que além de elevar o custo em mais de cinco vezes, ainda coloca o paciente em risco de ser submetido a tratamentos e medicações muitas vezes desnecessários.

Na Unimed do Brasil, a novidade está no Registro Eletrônico de Saúde. Trata-se de uma plataforma desenvolvida internamente, que reúne informações sobre a saúde do indivíduo, como históricos clínicos, exames e internações, permitindo que os dados sejam consultados entre sistemas e unidades de saúde de todo o Sistema Unimed. “Os beneficiários terão mais eficiência e agilidade nos atendimentos”, cita o presidente Orestes Pullin. A plataforma já está implementada no Ceará e no Paraná. “Ainda é um universo pequeno, de 70 mil beneficiários, dentro dos 200 mil que são nosso foco de atenção, mas tem se mostrado muito significativo”, afirma.

Fonte: Valor Econômico