Inspirados no Uber, aplicativos resgatam as ‘visitas de médico’

Doutora Andrea de Lemos, diretora da empresa Assist Care, que está inscrita no aplicativo Docway
Doutora Andrea de Lemos, diretora da empresa Assist Care, que está inscrita no aplicativo Docway

Um grupo de novas empresas quer usar a tecnologia para trazer de volta a tradição da visita de médico em casa. Inspiradas no funcionamento do Uber, as start­ups Docway, Beep Saúde e Dr.Vem! oferecem o serviço de solicitação de consultas a partir de aplicativos e sites.

Nos serviços, o paciente pode ver currículos de médicos cadastrados, os horários de atendimento que eles têm disponíveis e a distância dos profissionais até o cliente. Cada médico decide o preço que cobra por consulta.

Com isso, as start­ups afirmam oferecer um atendimento mais cômodo para pacientes, de um lado, e uma fonte de renda complementar para os médicos, de outro. Vander Corteze, fundador do Beep Saúde (lançado em abril e com 750 profissionais ativos), afirma que o serviço tem como objetivo tirar do pronto­-socorro pacientes com problemas fáceis de serem tratados, que não precisariam ir para lá enfrentar filas e risco de contaminação por doenças mais graves. Esse foi o motivo que fez a arquiteta Rebeca Murad, 39, chamar um otorrino via aplicativo para sua filha.

Murad, que mora em São Luís, no Maranhão, diz que, durante uma visita a São Paulo, em julho, a criança, de quatro anos, ficou com febre. Ela afirma que preferiu esperar um profissional atendê­-la na casa da sogra a enfrentar filas em hospital.

A maioria dos usuários dos “Ubers da medicina” é de pais e mães em busca de pediatras, seguidos por parentes de idosos com dificuldade de locomoção, diz Daniel Lindemberg, presidente da Dr.Vem!. A empresa foi lançada em janeiro deste ano e, com cerca de 140 médicos, faz aproximadamente 200 atendimentos em domicílio ao mês.

Mas o doutor vai?

Mas os médicos estão mesmo dispostos a deixar de esperar os pacientes nos consultórios para ir atrás deles?

Difícil, se considerados os profissionais mais qualificados e experientes, segundo Marcelo Augusto Ribeiro Junior, coordenador do curso de medicina da Unisa. “Eles dificilmente vão se sujeitar a isso. Quem vai se cadastrar é alguém que ainda não tem uma clientela.”

A médica Andrea de Lemos Santos, 43, pensa diferente. Diretora técnica de uma empresa de home care, ela afirma fazer em casa duas vezes por semana consultas que recebe a partir de aplicativos. Ela diz que o atendimento é feito principalmente fora do horário comercial, para ter uma fonte de renda complementar. “O aplicativo dá liberdade de, dentro do tempo disponível, organizar os atendimentos de modo prático.”


BEEP SAÚDE

Onde funciona: Rio e SP

Médicos ativos: 750

Diferencial: conexão com o Uber para o transporte do médico ­


DR.VEM!

Onde funciona: SP

Médicos ativos: 140

Diferencial: site que se adapta a dispositivos móveis ­


DOCWAY

Onde funciona: Curitiba, BH, Manaus e SP

Médicos ativos: 1.700

Diferencial: oferece vacinas

Fonte: Folha de S. Paulo