Há espaço no Brasil para plano de saúde popular, diz presidente da Fenasaúde

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A presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde),  Solange Beatriz Mendes, afirmou que há espaço no Brasil para a criação  de um plano de saúde popular. O produto, que está em estudo em um grupo  de trabalho do atual governo Michel Temer, precisa, na opinião da  especialista, coparticipação por parte dos beneficiários, um universo  potencial de 70 milhões de pessoas, e uma rede de atendimento mais  enxuta.

“Os 70 milhões de beneficiários (em potencial)  precisam contribuir. É preciso ter coparticipação”, avaliou Solange, em  conversa com jornalistas. Sobre o interesse das seguradoras em operar o  plano de saúde popular, a especialista ressaltou a necessidade de uma  regulamentação específica para o produto assim como acontece com o  microsseguro, apólices de seguro de baixo valor. No passado, essas  companhias deixaram de atuar com plano de saúde individual devido ao  elevado risco e, consequentemente, margens menores.

De  acordo com ela, as empresas têm tido dificuldades com a crise para  custear benefícios aos seus funcionários e, por isso, requisitado  coparticipação por parte dos colaboradores em torno dos 30%. Entretanto,  lembrou, esse porcentual é limitado e não pode ser ampliado conforme a  regulação atual.

A presidente da Fenasaúde alertou ainda  para o risco de o novo plano de saúde popular aumentar a judicialização  no setor. “Cabe ao governo divulgar à sociedade para avaliar se está de  acordo com o produto, que será mais barato, mas que precisa de controle,  gestão, protocolos mais rígidos”, explicou ela, acrescentado que hoje  há um descontentamento com o preço dos planos de saúde.

A  ideia de um plano popular foi proposta pelo atual ministro da saúde,  Ricardo Barros, embora fosse uma solução já aventada pelo mercado de  saúde privada. A portaria que cria um grupo de trabalho para debater o  tema foi publicada no Diário Oficial da União no mês passado.

O  produto deve ser mais barato que os tradicionais, mas também ter menos  coberturas que as exigidas no atual rol de procedimentos da Agência  Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula o setor. É ainda uma  aposta do governo para diminuir o peso no sistema público de saúde  (SUS).

Fonte: IstoÉ Dinheiro