Segmento ganha mais relevância para as seguradoras

Seniors with euro coins

Próximo de completar meio trilhão de reais no total de recursos investidos, a previdência complementar vem ganhando relevância cada vez maior dentro dos negócios das seguradoras.

Para algumas instituições, chega a representar quase metade do patrimônio administrado e 30% dos ganhos obtidos. Mesmo computando os seguros de saúde e de carro, considerados de alta necessidade pelos brasileiros, previdência continua avançando fortemente.

“De todos os segmentos em que atuamos, previdência é o que avança mais fortemente”, avalia Raphael de Carvalho, presidente da MetLife no Brasil. E os números confirmam. Enquanto os planos de previdência da seguradora americana no país saltaram 30% este ano até agosto, seguro dental subiu 17% e vida, 12%.

Com 80% da carteira voltada ao mercado corporativo, a MetLife administra R$ 7 bilhões em recursos de previdência, R$ 950 milhões em seguro de vida e R$ 150 milhões em dental. A previdência passou de 6% de representatividade do lucro líquido em 2010 para 18% neste ano. A maior parte desse ganho vem da cobrança de taxas para administração dos fundos, que no caso da MetLife varia de 0,5% a 1,5%, A seguradora não cobra taxa de carregamento de seus clientes, prática que muitos analistas acham que deveria ser eliminada do mercado. “Enxergamos muito potencial para este produto no Brasil. E com o VGBL Empresarial, se aprovado, teremos chance de dobrar nossa atuação”, diz Carvalho.

Já na maior seguradora do país, previdência chega a representar 40% do total de recursos administrados. “O movimento que a seguradora fez para unificar as forças de vendas tem dado resultado e previdência tende a crescer ainda mais”, afirma Lúcio Flávio Condurú, presidente da Bradesco Vida e Previdência. Ao final de 2014, do total de R$ 56,12 bilhões em recursos da Bradesco Seguros, R$ 23,76 bilhões foram gerados na previdência. As taxas de administração da instituição variam de 0,65% a 2,4% e o carregamento é regressivo, aplicado no resgate e zera a partir do quinto ano.

Com sete diferentes categorias de seguros, a previdência representa 16,5% do resultado total da BB Seguridade. Só com este produto, a Brasilprev, que se dedica a este nicho de negócio, lucrou R$ 726,4 milhões no ano passado, crescimento de 24,7%, e R$ 429 milhões no primeiro semestre de 2015, 26,2% a mais do que em igual período do ano anterior. “A importância da previdência no grupo é cada vez mais forte e só tende a crescer”, afirma Miguel Terra Lima, presidente da Brasilprev.

A evolução do avanço da participação da previdência no resultado geral também foi observada na Zurich Santander. “Era de 8% há dois anos. Hoje é de 10%. Um crescimento de 25% da representatividade do todo”, considera João Batista Mendes Angelo, diretor de previdência da instituição. A Zurich Santander administrava até agosto R$ 25,29 bilhões em sua carteira de previdência, que cresceu 17,5% no total da captação líquida no ano com R$ 461 milhões. “Este é um produto interessante porque não é apenas a captação de recurso novo que importa, mas também a característica de investimento de longo prazo”, diz Mendes Angelo.

Mesmo tendo registrado aumento de 20% nos resgates feitos pelos investidores no segundo trimestre deste ano, a SulAmérica Seguros vê com otimismo a elevação da representatividade dos planos de previdência em seus negócios e conseguiu registrar captação líquida positiva de R$ 188 milhões até agosto deste ano. “O desempenho poderia ser melhor não fosse a alta volatilidade do mercado e a crise econômica”, diz Fabiano Lima, diretor de fundos de previdência da seguradora