IRB Brasil detalha abertura de capital

IPOOs acionistas do IRB Brasil Re se reúnem nesta sexta, em assembleia extraordinária, para aprovar os detalhes já definidos da abertura de capital da companhia. De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, a intenção dos sócios é ofertar pouco mais de 50% das ações que detêm ao mercado. Ao final da operação, o bloco de controle ficará com cerca de 40% da resseguradora e a garantia de que a empresa se mantenha brasileira.

A princípio, a intenção é manter esse mesmo grupo pelos próximos 36 meses. Hoje a União tem 27,4%, Banco do Brasil e Bradesco, 20,4% cada, Itaú, 15%, e Caixa Barcelona ­ que se manterá com assento no conselho ­, 9,8%. Outros 6,8% estão nas mãos de seguradoras de menor porte e funcionários. Com a venda, espera­se movimentar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. A partir da assembleia, segue a reformulação e consolidação do estatuto social para adaptá­los às exigências de companhia aberta e à regulação do Novo Mercado da BM&FBovespa, no qual vai ingressar.

Nesse sentido, por exemplo, será criado o cargo de diretor de relação com os investidores, assim como a vaga de conselheiro que será o representante dos acionistas minoritários. O pedido para a abertura de capital será encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para análise. Assim que aprovado, o que se espera que ocorra até setembro, o presidente do IRB, José Carlos Cardoso, e membros da diretoria partirão em direção a Londres, Nova York, Hong Kong e, possivelmente, Catar, para apresentar a companhia aos investidores.

A oferta de ações está prevista para meados de outubro. No entanto, conforme noticiou o Valor na semana passada, as condições de mercado é que vão determinar a data. Apesar de reportarem aos acionistas que existe demanda, os bancos de investimento ainda enxergam alguns riscos para contemplar esse cronograma. Na visão dos sócios, as ações da resseguradora são bastante atrativas. Primeiro pelo fator financeiro. De acordo com fonte a par do processo, a resseguradora caminha para ter retorno sobre patrimônio (ROE, na sigla em inglês) entre 22% a 23%. Nos cálculos do executivo, isso significaria rentabilidade de 200% sobre o rendimento do CDI. Esse seria um dos motivos para que o Itaú, que participa da sociedade por meio da Itaú Seguros e da Itaú Vida e Previdência, não saia completamente do negócio.

Em segundo lugar porque, no mercado de capitais brasileiro, há poucas empresas no ramo de serviço. Além disso, o mercado segurador é um dos únicos que ainda crescem no ritmo de dois dígitos em um ambiente de retração econômica. E as ações das seguradoras que já têm capital aberto vêm se mostrando estáveis em um ambiente volátil. O Bradesco BBI deverá ser o principal coordenador da oferta e os bancos de investimento do Banco do Brasil e do Itaú também atuarão na coordenação. A estruturação internacional ficará a cargo do J.P. Morgan e do Bank of America. O BTG Pactual e o Banco Plural vão assessorar a operação. (Colaborou Felipe Marques)