NTN-B a 14,3% ilustra preço da credibilidade

1388612_market_movements_2Os dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional ilustram claramente o custo provocado pela combinação de elementos como inflação alta, riscos fiscais e políticos a que o governo está exposto e necessidade do Banco Central retomar a credibilidade. Mais uma vez, o custo médio da dívida mobiliária emitida em abril subiu e alcançou 12,42% ao ano, o maior nível desde janeiro de 2012, quando havia sido de 12,63%.

Mais emblemático é o quanto o Tesouro teve de pagar pelas NTNBs, papéis que rendem ao investidor uma taxa prefixada mais a inflação: 14,28% ao ano, considerando-se o custo médio do estoque. Tal remuneração rompeu a casa dos 14% em março, graças a um cenário que afeta os dois elementos que compõem a rentabilidade do título. A inflação corrente segue alta e resiste a mostrar alívio, enquanto investidores persistem em exigir prêmios de risco elevados pelos papéis, dado o quadro de incertezas que ainda enxergam para o futuro da economia.

Ou seja, é nesses títulos que fica claro o preço que o governo tem que pagar pela falta de confiança do mercado. O fato de o BC ter endurecido o discurso, com o objetivo de convencer agentes que está disposto a colocar a inflação de volta ao centro da meta em dezembro de 2016, teve um efeito moderado sobre as expectativas e proporcionou um recuo da inflação esperada. Ocorre que o mercado sabe que os juros mais altos impostos pelo BC, e que perseguem a melhora da credibilidade, terá efeitos perversos sobre a atividade, o que pode piorar as perspectivas para a arrecadação futura.

Assim, os investidores exigem prêmio maior para aplicar. O rendimento das NTNBs superava os 6% em todos os vencimentos no início de abril e, na maior parte deles, rodava perto de 6,3%, mas já começa a ceder. Ontem, papéis de longo prazo rendiam juro próximo a 5,8%. Da mesma forma, a inflação implícita entrou em trajetória de queda, ainda moderada, por causa da visão de que o BC poderá subir ainda mais a Selic. A melhora dos preços dos ativos ocorre gradualmente e alivia pouco a situação do Tesouro.

Além disso, pode ser colocada em xeque caso as incertezas sobre a viabilidade do ajuste fiscal defendido pelo ministro Joaquim Levy voltem à mesa. Nesse sentido, é importante observar o comportamento dos juros futuros ontem, que referenciam o rendimento dos títulos públicos. O contrato com vencimento em 2021 atingiu a máxima de 12,46% ao longo do pregão, ante 12,259% de sexta-feira.