Levy quer atrair recursos de fundos de pensão estrangeiros para infraestrutura

Joaquim Levy
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy

O aumento da longevidade da população das economias desenvolvidas está gerando uma forte demanda por ativos de longo prazo por parte dos fundos de pensão e investidores institucionais em geral. Ao analisar esse aumento da demanda, o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acredita que os fundos de pensão de algumas das maiores economias de mercado, principalmente dos Estados Unidos e Reino Unido, poderão enxergar os ativos de infraestrutura do Brasil como uma oportunidade de investimentos para cumprir com suas necessidades de pagamento de benefícios no futuro.

“O que nós queremos é abrir oportunidades para fundos de pensão, não apenas brasileiros, que tradicionalmente já investem em infraestrutura, mas também para os fundos de pensão estrangeiros, principalmente dos EUA e Reino Unido, para investir nesses projetos”, disse Joaquim Levy. Ele falou no evento Bloomberg Americas Monetary Summit, realizado nesta segunda-feira, 20 de abril em Nova York. Desde sexta-feira, 17 de abril, Levy está nos Estados Unidos, onde participou do encontro de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele aproveitou o evento do FMI para divulgar o plano de incentivo à infraestrutura no país. “Tivemos quatro ou cinco reuniões nos últimos dias que discutiram exatamente isso, como podemos direcionar recursos dos fundos de pensão e de investidores institucionais para ativos da economia real, não apenas para títulos de dívida pública”, disse o ministro.

Levy explicou que a economia brasileira já conta com a participação do setor privado em várias áreas da infraestrutura, como rodovias, portos, telecomunicações, energia e água, mas que nos últimos anos, os projetos estavam se apoiando substancialmente no financiamento do BNDES. A mudança é que o atual governo quer um modelo que não se apóie apenas no BNDES, mas principalmente no mercado de capitais. Ele disse acreditar que a forte demanda por ativos de longo prazo pode direcionar os recursos para o financiamento de projetos de infraestrutura, bem desenhados, de 30 ou 40 anos. Ele fez referência ao grande contingente da população idosa em economias avançadas, cujos planos de aposentadoria, podem se interessar em aplicar os recursos em projetos confiáveis de infraestrutura. “Nós acreditamos que podemos destravar um grande volume de recursos para encontrar oportunidades de investimentos sólidos e de longo prazo. Isso é fundamental a medida que a expectativa de vida das pessoas está aumentando”, disse Levy.

Para atrair esses recursos, o ministro disse que o governo trabalha junto com representantes do mercado financeiro brasileiro para oferecer um novo modelo de financiamento para os projetos de infraestrutura no país. “Estamos trabalhando com o mercado financeiro no Brasil para desenvolver novos instrumentos, para criar títulos de infraestrutura como uma classe de ativos globais”, disse Levy. Ele disse acreditar que os investidores globais devem começar a investir nesses ativos, assim como já fazem com os títulos públicos do mercado brasileiro. “Estou orgulhoso que os investidores gostam dos títulos públicos do Brasil, mas eles também podem investir em títulos que têm ativos reais do outro lado”, comentou Levy.

Fonte: Investidor Institucional