Volume de fusões e aquisições no ano pode ser o maior desde 2007

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O mercado de aquisições está aquecido. As empresas estão mais confiantes na economia e decidiram usar seus acúmulo de caixa para buscar crescimento no longo prazo e se beneficiar com os juros baixos e a alta das bolsas.

A oferta de US$ 28,9 bilhões apresentada pela farmacêutica Milan NV para comprar sua rival Perrigo Co. na quarta-feira aumentou o total de todas as aquisições anunciadas em 2015 para mais de US$ 1 trilhão, segundo a empresa de pesquisas Dealogic.

Ontem, a rede social LinkedIn Corp., direcionada a profissionais e empresas, ampliou esse montante, ao anunciar a compra da lynda.com Inc., um website de ensino on-line, por US$ 1,5 bilhão.

O total também inclui o valor do acordo da Royal Dutch Shell PLC divulgado na terça-feira pelo The Wall Street Journal, para comprar a BG Group PLC por US$ 70 bilhões, dando origem ao maior produtor independente de gás liquefeito do mundo.

No ritmo atual, o volume de fusões e aquisições para o ano todo deve ultrapassar US$ 3,7 trilhões, o segundo maior da história depois de 2007. Entre os acordos propostos ou anunciados até o momento no ano, 15 estão avaliados em mais de US$ 10 bilhões, o maior número já registrado até hoje, informa a Dealogic.

As duas mais recentes megafusões ressaltam as forças por trás da onda de fusões e aquisições. Sete anos após a crise financeira, os efeitos sobre as empresas praticamente desapareceram, elevando a confiança dos conselhos de administração, o que é essencial para a realização de negócios.

Ao mesmo tempo, os juros baixos barateiam a obtenção de empréstimos para financiar as aquisições, enquanto o fortalecimento das bolsas de valores dá aos compradores mais poder. Os executivos e diretores sabem que essas condições não vão durar para sempre, aumentando a ansiedade das empresas para fecharem negócios agora.

E depois de uma década de ganhos de produtividade e acumulação de recursos, muitas empresas estão em busca de novas fontes de lucros. As fusões e aquisições de concorrentes podem gerar esse aumento de margem e oportunidades de crescimento, diz Blair Effron, um dos fundadores do Centerview Partners LLC.

A consultoria participou de algumas das maiores fusões deste ano, incluindo a da Kraft Foods Group Inc. e da H.J. Heinz Co., avaliada em mais de US$ 50 bilhões.

“Executivos em todos os setores estão dizendo: nós temos um bom preço para as ações, um bom mercado de financiamento e nossa empresa está bem. Está na hora de pensar em algo mais expansivo, como [um processo de] fusão e aquisição”, diz Effron.

A fabricante de temperos McCormick & Co. fez duas pequenas aquisições até agora este ano depois de um período de inatividade. Quando questionado sobre fusões e aquisições em uma teleconferência de resultados há duas semanas, o diretor-presidente Alan Wilson disse: “O momento é excelente.” A empresa está procurando mais oportunidades de negócios, indicou.

Na verdade, os negócios ainda estão num ritmo mais lento que os de 2007, quando as empresas fecharam fusões e aquisições avaliadas em US$ 4,3 trilhões. As empresas de private equity fizeram aquisições na época num volume nunca registrado antes.

Essa atividade está menor agora, em parte porque alguns daqueles negócios ficaram abaixo da expectativa. A atual onda de fusões e aquisições está centrada em torno de fusões tradicionais de duas empresas.

O volume de negócios medido pelo número de transações permanece fraco. Um total de 9.932 fusões foi negociado até o momento no ano, ante 10.861 no mesmo período de 2014.

A Europa está refreando alguns negócios no mercado. Acuada por preocupações quanto à saúde de alguns de seus países mais fracos, o volume de negócios na Europa segue atrás, apesar do impulso dado pela compra da BG anunciada na quarta-feira.

No pico do boom de fusões e aquisições de 2007, a atividade foi mais intensa na Europa do que nas Américas. Antes do mercado voltar para aquele nível novamente, a Europa precisa mostrar uma recuperação mais forte.

Alguns negociadores dizem que o fortalecimento do dólar é positivo para a região, porque encoraja as empresas americanas a considerar uma aquisição no exterior. Esse fator foi importante nos bastidores do acordo desta semana para que a americanaFedEx Corp. comprasse a empresa holandesa de entregas TNT Express BV por US$ 4,8 bilhões.

A FedEx afirmou quando o acordo foi anunciado que ela estava negociando com a TNT há seis semanas, quando o euro estava registrando sua mínima de 10 anos em relação ao dólar.

Em uma entrevista ao The Wall Street Journal na quarta-feira, Scott Wine, diretor-presidente da fabricante de veículos Polaris Industries Inc., disse: “O fortalecimento do dólar nem sempre ajuda a vender nossos produtos, mas ajuda de verdade quando estamos olhando por aquisições, principalmente fora dos EUA.”

O acordo da BG é uma indicação de que grandes aquisições ainda são possíveis na Europa. É também um sinal que o setor petrolífero, tradicionalmente um dos principais contribuintes para a atividade de fusões e aquisições, está começando a ter peso novamente.

A forte queda nos preços do petróleo incentivou as empresas do setor a procurar parceiros que as ajudem a minimizar a volatilidade. As fortes quedas nos preços das ações também tornaram os potenciais alvos mais baratos.

As ações da BG tinham caído cerca de 30% nos últimos 12 meses antes do anúncio do acordo. A Shell está pagando um prêmio de 50% sobre os preços das ações da BG no fechamento de terça-feira.

Fonte: The Wall Street Journal