De olho na Longevidade

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Futuro mais promissor traz novos riscos e mais demandas de proteção e serviços

Por Karin Fuchs

Fenômeno recente no Brasil, a longevidade tem feito parte das mesas de debates para garantir a proteção de uma população cada vez mais idosa que, em contrapartida, apresenta queda nas taxas de natalidade. Segundo o Banco Mundial e o IBGE, em 20 anos a população de idosos no País duplicará; processo que levou 120 anos na França e 85 anos na Suécia.

A sociedade brasileira está despertando cada vez para a necessidade de uma proteção. “As pessoas ainda estão num processo de inserção na cultura do seguro e da relevância de cada um de seus ramos. Esse processo converge com a maior longevidade, que faz com que as pessoas estejam mais cientes da necessidade de se planejar e adotar mais medidas preventivas em favor de si próprias e de suas famílias. Isso cria uma janela de oportunidades bem interessante para o mercado de seguros de pessoas”, diz Samy Hazan, diretor do Produto Vida da Yasuda Marítima Seguros.

Para Laerte Tavares, diretor comercial da Capemisa, a longevidade exerce influência direta no tempo de contribuição do segurado, bem como no preço do produto, o que afeta a fixação ou a manutenção do plano, tanto nos seguros de vida quanto nos planos de previdência. “A longevidade traz também a reflexão para o cidadão a respeito da sua real necessidade; qual o produto adequado para aquela fase da vida. Outro impacto é no tempo de pagamento no caso de previdência, que exige por parte das seguradoras um melhor planejamento nas suas aplicações, que devem observar agora um tempo mais alongado”, afirma.

Pontos que também são avaliados por Marcos Kobayashi, superintendente comercial nacional vida da Tokio Marine, “temos muitos aspectos a considerar. Sobre a ótica do segurador, destacaria uma análise sobre a precificação, idade limite para contratação do seguro e a criação de novos serviços para esse público. Do ponto de vista do consumidor, garantir a reestruturação financeira da família passa por outras preocupações, como por exemplo, a sustentabilidade da previdência social e o alto custo da saúde”, diz.

Sobre precificação, Robert Craddock, diretor das carteiras de Massificados e Seguros de Pessoas da Chubb, comenta que é complexo pensar que de um lado há mais participantes pagando por mais tempo e, por outro lado, o capital é corrigido e a indenização fica mais alta. “Isso impacta muito mais na área de seguro de vida individual porque em vida em grupo, as pessoas se aposentam e saem da apólice. É cada vez menos comum as empresas manterem esses beneficiários, ao contrário do que se via no passado”, compara.

Mais proteção

 De acordo com Jaime Prazeres, gerente de Vida da Porto Seguro, a longevidade tem sido muito discutida no momento. “O Brasil e o mundo estão envelhecendo. É preciso um olhar diferente para esta parte importante da população. Cada vez mais, ela terá necessidade de seguros de vida modernos e aderentes à nova realidade e expectativa desta população longeva”, explica.

Para Craddock, o grande desafio é transformar o seguro de Vida em, literalmente, seguro de vida e não em seguro de morte. “Como indústria, nós temos que fazer essa transformação com serviços que as pessoas irão demandar com a longevidade. Já temos coberturas diferenciais e temos de ser criativos”, enfatiza.

Tavares acrescenta: “as seguradoras têm apresentado produtos inovadores e criativos. Produtos modulares são bem aceitos e reúnem seguros e serviços adequados a cada segmento da sociedade. As áreas atuarial e de produtos das seguradoras empenham-se em descobrir ou idealizar modernas alternativas e, como uma ciência, experimentam novos produtos para atender uma demanda diferenciada”, comenta.

“Os produtos que estiverem realmente engajados em apresentar soluções para este consumidor, proporcionarão opções visando qualidade de vida, com informações, serviços e coberturas, como doenças graves, assistência residencial (ex: colocação de barras de apoio para evitar quedas), desconto em farmácia, orientação nutricional (como controle de diabetes) e despesas médica-hospitalar e odontológica”, cita Kobayashi.

Hazan destaca a sofisticação dos produtos. “Um exemplo é que foram incorporados aos seguros de vida em grupo benefícios relevantes, que podem ser usufruídos pelo segurado em vida; como antecipar o benefício de falecimento em caso de uma doença grave coberta ou em caso de invalidez permanente”, especifica.

Na liderança desse movimento de mudanças, que propicia benefícios adicionais para a família, diz Hazan: “estão aqueles que promovem assistência psicológica e assistência social aos funcionários participantes do plano de vida em grupo, além de assistência jurídica. Outras assistências comuns a esses planos são a assistência funeral (pode ser estendida aos familiares), cesta básica, serviços de concierge e assistência a viagens.”

Contratação

 Segundo Kobayashi, o corretor atua como consultor e tem total condição de avaliar as melhores opções em produtos, serviços, assistências, preço, solidez das seguradoras e auxiliar o consumidor na composição do melhor pacote de benefícios. “Para isso, a constante busca pela capacitação se torna imprescindível para uma venda consultiva”, orienta.

Para tanto, explica Tavares, “tanto na contratação de um seguro de vida como uma previdência, devem ser avaliadas as reais necessidades das pessoas/grupos. O produto sob medida, levando-se em consideração as reais necessidades do cidadão e de sua família, com a fixação do preço justo e coberturas adequadas às necessidades de cada um, nos parece mais correto”, afirma.

Avaliação similar faz Jaime Prazeres: “é muito importante avaliar o momento de vida do cliente e considerar os aspectos financeiro, pessoal e familiar. É preciso contratar um seguro de vida que consiga atender de imediato a riscos que não têm hora, nem lugar para acontecer”, pontua.

Já Aura Rebelo, diretora de Marketing e Canais da Icatu Seguros, diz que o mais importante na contratação de um seguro de vida é a pessoa fazer um raio X da sua vida financeira (receitas e despesas) e de sua família para não contratar um capital segurado insuficiente. “É preciso se certificar que, no caso de uma eventual fatalidade, a família conseguirá manter o padrão de vida até poder se restabelecer”, explica.

Craddock defende que a venda correta do produto requer especialização. “Seguro de vida não pode ser vendido aleatoriamente e sem responsabilidade”, destaca. “Como regra geral, é dito que a cobertura deve equivaler de cinco a dez vezes os ganhos anuais do segurado. Uma análise personalizada pode ajudar a determinar a real necessidade do segurado. Nessa conta entra a cobertura do seguro destinada à dívida de financiamento da casa própria, despesas com educação de filhos e renda familiar, bem como liquidez para pagar os impostos de propriedades e da herança”, acrescenta Hazan.

Previdência Complementar

 Ao comparar o seguro de Vida com Previdência Complementar, Maurício Amaral, vice-presidente de Corporate Life & Pension para Zurich Brasil, demonstra que são dois impactos contrários quando se trata de longevidade. “Em seguros de vida a tendência é de queda de preço, pois exige-se menos coberturas quanto maior for a idade e, pelo fato de se viver mais, a taxa média fica menor porque diminui a mortalidade. Já na previdência o preço sobe, por se ter menos tempo para fazer reserva para o momento que estiver inativo”, compara.

Isso porque, diz Aura, “na previdência, a contração da renda de aposentadoria (quando o participante decide transformar sua reserva acumulada em renda mensal) tende a encarecer, pois como a pessoa viverá por mais tempo, consequentemente, por mais tempo a seguradora terá que garantir esses recursos”, diz.

Diretor de Vida e Previdência da SulAmérica, Fabiano Lima, ressalta que apesar do brasileiro não estar acostumado a lidar com o risco de morte, o que afasta as pessoas do seguro de vida, obviamente ele sempre será necessário. “Por mais que haja melhora na questão de saúde, ninguém está imune a riscos. Porém, acredito que o impacto da longevidade será maior na previdência, pelo fato de as pessoas buscarem mais por uma proteção financeira”, prevê.

Para Lúcio Flávio de Oliveira, presidente da Bradesco Vida e Previdência e vice-presidente da FenaPrevi, a longevidade traz oportunidades. “A redução da mortalidade e o aumento da sobrevida acima dos 60 anos permite ao mercado oferecer um leque mais amplo de coberturas, e com maior previsibilidade na precificação dos diferentes tipos de seguros destinados a essa faixa da população. Do ponto de vista do cliente, é preciso conscientizar as pessoas de que será preciso poupar mais, e cada vez mais cedo, nos seus planos de previdência, para fazer frente às despesas nessa fase da vida”, avalia.

Em relação ao aspecto de solvência, diz ele: “as seguradoras de previdência privada aberta se prepararam para essa realidade desde 2010. Quando entrou em vigor a nova tábua atuarial brasileira, que é ajustada automaticamente a cada quatro anos à evolução da expectativa de vida”, especifica.

Produtos adequados

 Conforme projeções do IBGE, o Brasil terá, em 2050, 64 milhões de idosos, o equivalente a 30% da população. “O desafio é desenvolver produtos adequados a essa faixa etária, que viverá por mais tempo, especialmente acima dos 60 anos, com aspirações e necessidades específicas. Atualmente, o consumidor de seguro ainda está voltado para os riscos mais imediatos e perceptíveis do dia a dia, que envolvem, por exemplo, o automóvel ou a residência, expõe Lúcio Flávio.

No entanto, complementa ele, “o seguro de vida e a previdência complementar ainda não atingiram esse estágio, mas a conscientização e a procura vêm aumentando muito no País nos últimos anos. Atualmente já estão sendo testados e oferecidos produtos novos para atender à expectativa da população longeva. É uma tendência irreversível, que tende a evoluir no mercado brasileiro.”

Fabiano Lima destaca que além da flexibilidade dos planos, formas diferenciadas de acumulação, as coberturas atualmente oferecidas pela companhia contemplam todas as necessidades, que vão desde a vitalícia simples até o renda vitalícia com prazo mínimo garantido, incluindo benefícios ao cônjuge e aos dependentes, conforme modalidade contratada. “Vale lembrar que não podem ser alterados os beneficiários no decorrer do plano, uma vez que para os cálculos são considerados as idades do titular e do cônjuge, por exemplo, e o risco de sobrevivência de cada um deles”, comenta.

Ele diz ainda que o risco de sobrevivência ou longevidade acontece nas duas pontas. “Se o cliente compra uma renda vitalícia e eventualmente falece, o benefício se encerra nesse momento. Mas também pode ocorrer o contrário, ele viver mais, como a tendência tem se mostrado. Assim, a companhia de seguro está avaliando a experiência de mortalidade no seu grupo de aposentados, para atualizar as suas reservas. Isso mantém a solidez de mercado, o risco que foi transferido de uma pessoa física para a seguradora”, esclarece.

Sobretudo, Aura destaca que na contratação de um plano de previdência, a pessoa precisa ter em mente que a longevidade implica em conseguir manter o padrão de vida por mais tempo. “Indicamos nossos simuladores para ajudar nessa conta, como o Rumo aos 100, que estima a expectativa de vida da pessoa com base em perguntas sobre as características pessoais e o modo de vida dos usuários, e o Na Medida, que é primeiro simulador do mercado que indica, simultaneamente, quais os valores necessários para o seguro de vida e a previdência”.

Para Maurício Amaral, a previsão é que não haja muitas mudanças em termos de coberturas nos planos de previdência. “Até porque o objetivo é acumular para o resgate programado na idade de aposentadoria”, resume, acrescentando que a tendência é que cada vez mais a previdência ganhe espaço e se consolide, mas tendo como principal canal as instituições bancárias. “O mercado brasileiro se fortaleceu muito com elas, o que acho irreversível. Por mais que se desenvolva o mercado de consultoria, orientação privada, ele nunca terá a força que o canal bancário tem na distribuição de planos de previdência”, prevê.

Nesse sentido, Lúcio Flávio alerta: “é preciso levar em conta a liquidez e a confiabilidade da instituição em que os recursos serão aplicados, bem como fatores como performance, serviços agregados e atendimento, evitando tomar uma decisão que considere somente parâmetros de custos. Já no segmento de vida, em geral, os seguros são produtos mais de oferta do que de demanda. Nesse sentido, o principal desafio das seguradoras e dos corretores é despertar essa percepção nas pessoas, estreitar o relacionamento e tornar o produto mais tangível, acrescentando-lhe benefícios e serviços que agreguem valor”, diz.

Sustentabilidade social

 Há muito tempo se ouve sobre o déficit das contas da previdência social e a possível quebra desse sistema. De acordo com Aura, é inevitável que ela passe por estudos para aplicar medidas de adequação. “Como por exemplo, aumentar a idade mínima de aposentadoria. E é fato que a previdência complementar ganha ainda mais relevância nesse cenário. A grande questão é que as pessoas precisam entender que elas são responsáveis pela própria aposentadoria e deixar de delegar essa atitude para o governo ou para as empresas”, defende.

Maurício Amaral pontua que a previdência social praticamente não fecha a conta e os números comprovam. No primeiro semestre deste ano, o deficit foi de R$ 23,484 bilhões, abaixo de igual período de 2013, quando chegou a R$ 29,004 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social. “E se olharmos para a proporção de ativos e inativos, há vinte anos e nos dias de hoje, é uma coisa assustadora. Todos os estudos apontam que em 2050 a proporção será de um para um. Em algum momento, o governo terá de ser um pouco mais criativo. As pessoas estão ficando mais velhas e vão custar cada vez mais para o Estado e a taxa de natalidade está diminuindo”, analisa.

Segundo ele, “hoje não há nenhum incentivo para contratação de mão de obra mais madura, nenhum programa de comunicação para acabar com esse preconceito. Podia haver um incentivo, como por exemplo, contratação acima de 60 anos com imposto zero (encargos trabalhistas). Assim, os mais velhos sairiam da inatividade, continuariam contribuindo como ativo, reduziriam tanto a sua dependência pelo INSS e equilibraria-se a conta”, sugere.

Fabiano Lima comenta como está atualmente esse cenário. “Em uma recente reportagem do Valor Econômico foi mostrado que o prazo de acumulação continua sendo o mesmo, aos 54 anos (tempo de serviço), idade em que as pessoas se aposentam, mas não necessariamente pararam de trabalhar. O prazo de acumulação é o mesmo e o de recebimento da renda aumenta, logo, as pessoas precisarão acumular mais renda, pois longevidade não está apenas relacionada à quantidade de anos que se vive mais, mas também à qualidade vida e, para isso, é preciso ter recursos”, explica.

Na visão de Lúcio Flávio, como o próprio nome sugere, a principal vantagem da previdência complementar é a de assegurar ao participante do plano uma reserva financeira capaz de suprir ou pelo menos reduzir, a diferença entre a renda que ele possuía na ativa e o benefício pago pela previdência pública, após a aposentadoria.

“Essa vantagem torna-se ainda mais significativa para quem possui ou possuía, na ativa, renda superior ao teto pago pela previdência pública. Pesquisas recentes mostram que o brasileiro ainda tende a só se preocupar com previdência pública ou privada quando está mais próximo da aposentadoria. O desafio, no caso da previdência complementar, é reduzir a idade de ingresso e constituição dos planos, demonstrando ao participante que, quanto maior for o prazo de contribuição, menor será o valor do aporte exigido para alcançar a meta pretendida”, afirma.

Saúde

 Em seguros de Pessoas, a carteira que tem mais peso conforme a longevidade é a de Saúde. A idade avança, na mesma proporção aumentam as demandas por assistência e os custos médico-hospitalares, muito por conta das inovações tecnológicas, tratamentos mais sofisticados e medicamentos que proporcionam o controle de doenças, principalmente as crônicas.

Segundo Newton Pizzotti, diretor de Saúde da Porto Seguro, os idosos consomem cerca de sete vezes mais recursos médicos que os jovens. “Portanto, além de outros aspectos, há um impacto econômico evidente. Aliado a isso, com o aumento da expectativa de vida e incremento da tecnologia, os custos têm crescido muito acima dos níveis da inflação”, compara.

Para ilustrar o aumento de custos em saúde, Manoel Cardoso, diretor técnico Econômico e Relacionamento com Clientes da SulAmérica, cita que entre 2004 e 2013, os custos assistenciais cresceram 133%, enquanto a inflação no período, medida pelo IPCA, foi de 61%. “Por isso, apostamos muito em uma mudança. Teremos de incentivar as pessoas a se cuidarem mais e também mudarmos a nossa relação com a rede de prestadores, a forma de contratação e remuneração (baseada em eficiência e não em volume). Hoje, quanto mais o prestador faz, mais ele ganha, não privilegia a eficiência”, informa.

Na carteira da companhia, ele diz que “o custo de um grupo de 59 anos ou mais na é sete vez maior que toda a carteira. Saúde não tem preço, mas tem custo, decorrente não só das questões tecnológicas, mas da melhoria da vida. Antigamente, havia uma incidência maior de doenças transmissíveis, hoje, a prevalência é de doenças crônicas. Várias doenças não apareciam porque morríamos antes, hoje vivemos mais”, explica.

Mesma opinião compartilha Jefferson Bonatto, gerente de Riscos Assistenciais da Ameplan. “Nos últimos anos tem se falado bastante sobre o envelhecimento da população, inversão da pirâmide etária, aumento da perspectiva de vida. Em um contexto social, são notícias excelentes, mas quando analisadas no nosso mercado de saúde suplementar, tudo isto se transforma em aumento real de custo. Uma forma de minimizar os impactos com a assistência ao idoso num curto prazo é trabalhar fortemente na gestão administrativa e médica, renegociando com os prestadores de serviços médicos, fazendo novas parcerias, etc.”, sugere.

Marcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde e da Mediservice, diz que a longevidade vem acompanhada de outro fenômeno: a queda da taxa de natalidade, hoje inferior a 1% ao ano. “E todas estatísticas atuariais mostram que o custo cresce com a longevidade. Se a proporção de idosos aumenta em relação à população jovem, o efeito direto é o aumento do custo médico. Mesmo fenômeno se vê na previdência, menos gente jovem e mais gente sacando, porém, diferentemente, em saúde temos a introdução da tecnologia que encarece os custos médico-hospitalares”, compara.

Ainda de acordo com ele, “a longevidade não é ruim, é uma realidade. As pessoas mais idosas não somente vivem mais, como consomem mais recursos médicos. Esse é o grande desafio que tem não apenas a saúde privada, mas também a pública, e que os Estados Unidos, Japão e a Europa já estão enfrentando há muito tempo. O mesmo cenário se dará no Brasil, cuja população idosa dobrará em muito menos tempo do que na França, por exemplo, Alemanha ou Japão. No Brasil, a velocidade será muito maior”, afirma.

Prevenção e promoção de saúde

 Sobre o mercado de saúde ser muito regulamentado, Bonatto diz: “temos no setor uma agência reguladora que constantemente amplia a cobertura obrigatória, inclusive agregando novas tecnologias e medicações aos tratamentos. E por isso, infelizmente, a conta não fecha. E uma das formas também é trabalhar na prevenção.  Inclusive, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está incentivando as operadoras a investirem neste formato de trabalho, promovendo workshops regionais de promoção de saúde e prevenção de riscos e doenças, nos quais representantes de operadoras têm a oportunidade de trocar informações entre si e também com a própria ANS”, comenta.

“As operadoras e seguradoras de saúde, de modo geral, vivenciam um ambiente de custo crescente em saúde. A inflação médica que cresce em um ritmo maior que a inflação do mercado, e estamos em um ambiente extremamente regulado. A ANS norteia a questão das coberturas. A cada dois anos é publicado um rol de procedimentos que incorpora novos procedimentos, novas tecnologias, que encarece muito o custo de fornecimento de saúde para os nossos segurados”, complementa Gentil Jorge, superintendente de Gestão de Saúde da SulAmérica.

Newton Pizzotti especifica que, atualmente, a faixa etária das carteiras empresariais é predominantemente mais jovem. “Portanto, não é um problema crucial para este produto. Já o envelhecimento dos beneficiários de planos individuais, coletivos por adesão e de pequenas empresas, acabam acarretando incremento de custos aos usuários. O desafio é incentivar um uso consciente dos recursos disponibilizados”, defende.

Segundo Coriolano, nesse sentido, ninguém está parado. “E precisamos avançar ainda mais. A sociedade já sabe que irá envelhecer e que isso custará caro. Desde já é preciso ter programas de prevenção e promoção de saúde, programas educativos para que as pessoas se cuidem mais. Todo o mercado está trabalhando nessa direção”, informa.

De acordo com ele, os programas de promoção e prevenção à saúde têm efeito positivo, mas não há como mensurá-los. “Pois não se sabe se a melhoria se deu por conta de alguma mudança ou pelos programas. Mas sabe-se que é positivo pois a velocidade dos custos tendem a reduzir”, antecipa.

Gentil Jorge também destaca a importância de programas de prevenção. “As operadoras e seguradoras de saúde, de modo geral, estão em um ambiente crescente dos custos em saúde. Destaca-se uma porcentagem de pacientes que apresentam doenças crônicas, geralmente evolutivas, e que têm um alto custo de tratamento, sendo a maior parte controlável por mudanças de atitude, hábitos de vida. Assim, conseguimos quebrar este ciclo e postergar a evolução da doença ou até evitar que uma complicação apareça”, avalia.

Marcio Coriolano enfatiza que o benefício é para todos. “Claro que estamos mirando redução de custos com os programas de prevenção à saúde, mas também a satisfação das pessoas, na melhoria da qualidade vida. Isso reflete nas empresas com colaboradores mais saudáveis, mais comprometidos, o que aumenta a produtividade”, pontua.

Jefferson Bonatto diz que “a sustentabilidade do negócio a médio e longo prazo depende essencialmente dos hábitos adquiridos durante a vida. Todos nós somos constantemente bombardeados com informações de manter uma vida saudável, aliado a uma dieta equilibrada e a prática constante de exercícios físicos. Desta forma, se quisermos envelhecer com qualidade, temos que pensar em como estamos agindo hoje”, finaliza.

Mesma opinião compartilha Newton Pizzotti. “Bons hábitos nutricionais e a prática regular de atividade física são importantes para todos, tanto para seu bem-estar quanto para a estabilidade de custos dos planos de saúde. A sociedade deve tomar consciência e colocar em prática o que já conhece, pois a grande maioria das pessoas já dispõe de informações. A decisão final sobre colocar em prática esses e outros bons hábitos é inerente a cada um”, finaliza.

Ilustrações

 – Longevidade: Segundo dados do IBGE, os idosos acima de 65 anos representavam no ano 2000, 5,61% da população. Hoje já são 7,64% e em 2030, a população da chamada 3ª idade deve representar 13,44% da população brasileira.

– Expectativa de vida: O aumento substancial da expectativa de vida ao nascer é um dos fatores que tem contribuído bastante com esse índice. A expectativa de vida, que era de 69,83 anos em 2000, já está em 71,57% em 2014 e devemos alcançar 78,64% em 2030, sendo 75,28 anos para os homens e 82 anos para as mulheres.

 Transição Demográfica (dados do Banco Mundial e IBGE)

Taxa de crescimento baixa (menos de 1% a.a.) e fim do bônus demográfico, envelhecimento da população:

 Projeção:

2010: 10% da população com mais de 60 anos e 40% de jovens

2020: 13% e 35% de jovens

2030: 18% e 32% de jovens

2050: 30% > curvas se encontram

 Tempo que a população de idosos duplica:

França: 120 anos

Suécia: 85 anos

Áustria: 76 anos

Brasil: 20 anos