Previdência aberta terá ações estrangeiras até o fim do ano

Os planos de previdência complementar aberta (VGBL e PGBL) terão a possibilidade até o final de 2014 de compor uma fatia de suas carteiras de renda variável com ações de empresas estrangeiras, preferencialmente papéis de companhias americanas e europeias de alta liquidez (negociação) nos mercados globais. As informações são do jornal DCI.
A legislação vigente desde 2005 privilegia a aplicação em papéis do Mercosul, o que reduz as opções dos gestores predominantemente às ações brasileiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).
Essa é uma demanda do setor, da Fenaprevi [Federação Nacional de Previdência Privada e Vida], e saindo a autorização e dependendo da regulamentação, a Brasilprev é pioneira no mercado e provavelmente vamos lançar um produto com essas características, afirmou o superintendente de investimentos da Brasilprev, Altair César de Jesus.
O gestor de previdência da Porto Seguro Previdência, Jovanni Kiraly, lembrou que no Brasil, somente o segmento de previdência fechada (fundos de pensão) possuem autorização para adquirir ativos internacionais e recibos de ações estrangeiras (BDRs) até o limite de 10% das carteiras.
A BM&FBovespa já lista 65 recibos de ações estrangeiras (BDRs), principalmente de grandes empresas americanas. No ano de 2014 até ontem, o índice BDRX subiu 4,93% para 2.361 pontos, após ter avançado 48,8% em 2013. A possibilidade de acesso a esses ativos está restrita pela Instrução 332 da CVM. Ela autoriza BDRs exclusivamente para instituições financeiras; fundos de investimento; administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM, em relação a seus recursos próprios; entidades fechadas de previdência complementar; e pessoas físicas milionárias ou jurídicas com investimentos financeiros superiores a R$ 1 milhão.
Kiraly contou que o setor de previdência aberta está buscando junto aos reguladores – Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – diminuir as assimetrias (diferenças) em relação aos fundos das entidades de previdência fechada. Essas assimetrias devem diminuir, disse.
O gestor da Porto Seguro Previdência apontou que nada impede que sua instituição venha a lançar novos planos com ações de empresas estrangeiras ou BDRs, mas a principal dificuldade no mercado local ainda é a cultura da renda fixa. Nos Estados Unidos, 70% da poupança de longo prazo está no mercado acionário. No Brasil, a preferência em previdência é pela renda fixa, diz Kiraly.
Na mesma linha, o superintendente de investimentos da Brasilprev, Altair de Jesus, contou que na Brasilprev, 95% do volume aplicado nos planos vai para ativos de renda fixa e apenas 5% são dedicados a renda variável. O brasileiro continua muito conservador, diz o superintendente.
Mesmo assim, Kiraly diz que ainda que marginalmente sente a procura por planos de renda variável. A Porto Seguro lançou o plano Multimercado Rubi Plus com aporte inicial de R$ 5 mil e contribuições mensais de R$ 200 e taxa de administração de 2,5% ao ano, voltado para clientes pessoas físicas do varejo.
Para o diretor de planejamento e controle da Brasilprev, Nelson Katz, sua instituição concentra esforços em educação financeira para que os investidores pessoas físicas possam começar a poupar mais cedo para a aposentadoria, e dessa forma, de acordo com o perfil de risco possam conhecer produtos com renda variável. Isso requer muita comunicação com o público de varejo, diz.
Katz contou que do conhecimento e da experiência trazidos da acionista americana Principal Financial Group, a Brasilprev pode desenvolver no Brasil, a família de fundos de previdência aberta Ciclo de Vida. O formato desse produto representa 20% de toda a previdência lá fora [no exterior].
Altair de Jesus explicou que a família Ciclo de Vida é orientada pelo horizonte de prazo do investidor e permite que o gestor migre os ativos ao longo do tempo de acordo com o perfil do cliente. Ele pode optar pelo Ciclo de Vida 2020, 2030 ou 2040, citou.